Carpe Diem !!!
Pedro Azevedo

Caro Leitor, a Lua de Mel de um adepto Sportinguista com a sua equipa de futebol não só não augura nada de bom como é sempre interrompida por um acontecimento traumatizante. Foi assim com o degredo de Jardel, assim também ocorreu, e em dose dupla, com o sentimento de orfandade pós-abandono de Amorim e deserção de Gyokeres. Pelo que num instante saímos daquele transe em que a confiança é grande e sabemos de antemão que tudo vai correr bem, para passarmos a ver os jogos com a mesma ansiedade e por vezes angústia com que os pais assistem aos teatrinhos que as escolas encenam para os seus filhos, temendo que eles esqueçam as falas, gaguejem, tropecem ou caiam, sem esquecer o receio de aparecerem feios e mal vestidos (coisas do marketing e suas escolhas de equipamentos, que não a tradicional camisola listada verde e branca casada com o calção preto). Além da incerteza de que o guião escolhido (sistema táctico) seja o correcto, o que ameaça criar ainda mais ansiedade em adeptos e até jogadores. É a vida de um Sportinguista, uma parábola que nos chama a atenção para a necessidade de abundantemente desfrutarmos daqueles momentos bons de que mais tarde nunca nos esqueceremos. [Podia ser diferente e encararmos os desafios sem aquelas dúvidas martirizantes típicas dos nascidos para sofrer, se nos deixassem estender os momentos para lá do efémero, ainda que o bicampeonato tenha trazido consigo a esperança de uma pedrada tão grande no charco (do futebol português) que as suas ondas de choque finalmente perdurem por anos e anos. Aguardemos, então, que a esperança, já se sabe, é verde.]
