Bob, o desconstrutor de critérios
O Albergue Espanhol
Pedro Azevedo
A primeira observação que me merece a convocatória do senhor Martinez para o Europeu é que o critério é não haver qualquer critério. É, por isso, uma convocatória ad-hoc. Querem exemplos? O Chico Conceição é um joker, um jogador que pode dar coisas diferentes, mas o Matheus Nunes, com um perfil de transporte de bola a quebrar linhas que não existe na Selecção não foi chamado. Depois, o estágio de Março foi muito importante para a decisão final, mas Matheus Nunes (novamente), que jogou e marcou, ficou de fora. Podia estar relacionado com ser suplente no Manchester City, que aliás sagrou-se campeão de Inglaterra, mas Felix não é titular do Barcelona e foi chamado. O Pote e o Trincão tiveram azar com o estágio de Março, mas o verdadeiro azar de Pote foi nunca ter sido convocado, ele que é só o jogador mais regular da Primeira Liga nos últimos 4 anos. A razão não se entende. Enquanto Pedro Neto tem 82 jogos na Premier em 4 anos (8 golos e 16 assistências), Pote leva 124 encontros na Primeira Liga no mesmo período (57 golos e 35 assistências). E ainda há a questão do ritmo competitivo, que pelos vistos não é relevante para não levar Otávio e Rúben Neves (Ronaldo é um caso à parte), mas serve de motivo de exclusão para jogadores suplentes em equipas que dominam o mundo do futebol (Matheus Nunes, Manchester City). Ah, e só levamos um lateral esquerdo de raiz, que tem um histórico de recorrentes lesões musculares. Nuno Santos poderia ser uma boa opção, mais a mais sabendo-se que Martinez gosta por vezes de jogar com 3 centrais, mas também teve azar. Muito azar. Agora espera-se que a Selecção venha a ter sorte. Muita sorte. Senão acontece-lhe como a Bélgica, que conseguiu desperdiçar uma das melhores gerações da sua história sem nenhum feito efectivamente relevante. (Neste autêntico albergue espanhol coexistem jogadores que passaram a época lesionados com outros que jogaram sempre, uns a gozarem a pré-reforma com outros que estão no pico da forma física, titulares indiscutíveis e suplentes crónicos, jogadores com provas dadas no terreno e craques só nas letras de jornais.)
Nota: últimos 4 anos (campeonato) - Diogo Jota 41G, 11A; Rafael Leão 40G, 33A; João Felix 23G, 10A, Pedro Neto 8G, 16A; Pote 57G, 35A.

