A idade de Gyokeres
Pedro Azevedo
Entre todas as justificações patéticas acerca de o preço que o mercado está disposto a pagar por Gyokeres ser inferior ao que muitos esperariam dado o seu rendimento desportivo, emerge a questão da idade. Aparentemente, para estas alminhas, o sueco, aos 27 anos, é velho, já não dará retorno financeiro. Ora, qualquer grande clube europeu que queira contratar Gyokeres está essencialmente preocupado com o rendimento desportivo e não com posteriores negócios. Exemplos: Harry Kane foi contratado a época passada pelo Bayern ao Tottenham por 120 milhões de euros. Tinha 30 anos. Outro: Lewandowski saiu do Bayern para o Barcelona, na pré-época de 2022/23, por 45 milhões de euros (mais variáveis). Tinha 33 anos, actualmente (36 anos) viu renovado o seu contrato com os culés. E já nem trago à colação Ronaldo, porque Ronaldo é Ronaldo, contratado pela Juve ao Real por 100 milhões de euros, aos 33 anos de idade.
Não, o problema de Gyokeres não é a idade, até porque aos 27 anos um ponta de lança está ainda a refinar as suas qualidades. Além de que se trata de uma posição no campo altamente especializada e pela qual o mercado está habituado a pagar mais do que o teto praticado para quem ocupe outras zonas do terreno. O problema de Gyokeres, isso sim, é aquilo que ontem Mourinho deixou implícito sem necessitar de ser totalmente explícito. Tem a ver com jogos de empresários e sua influência que gera interesses conflitantes instalados na Comunicação Social e clubes. E sobre isso mais não digo, até porque me falta uma vassoura para limpar toda a abjecta porcaria que circula (parasita?) à volta do jogo. Deixo assim apenas uma pergunta: de onde provém tanta notícia claramente plantada nos jornais com o objectivo de condicionar a opinião pública? E quem faz o frete?
