Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

06
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um ocaso nada por acaso


Pedro Azevedo

IMG_5626.webp

Um elemento essencial da cultura corporativa de qualquer empresa é a sua identidade, pelo que, quando os leões vão a campo disfarçados de panteras (cor de rosa), um dos seus símbolos identitários está a ser posto em causa, não havendo causa por mais nobre que seja (e a da prevenção do cancro de mama indiscutivelmente assim o é) que o justifique. Coincidência ou não, o Sporring foi sempre muito meiguinho, não explorou os 30-40 metros existentes nas costas da subida defesa bracarense, nem conseguiu trocar dois ou três passes seguidos sem perder a bola. Foi assim uma exibição arco-íris, paz e amor, "woke" até dizer chega (Chega?), sempre em defesa das minorias (Braga). Para tal também contribuiu a inexistência do nosso meio campo, com Simões a passar de titular a não-convocado sem razão conhecida (admito que o cor de rosa não lhe assente bem), Morita mais a pensar no hara-kiri do que disponível para a batalha no miolo e Hjulmand abaixo do melhor que já lhe vimos, sem ninguém capaz de transportar a bola em progressão e assim encontrar uma forma alternativa de contornar a zona de pressão do Braga. Com Inácio e Debast sempre à beira do abismo, a permanentemente oferecerem a bola ao adversário, o que deixa à beira de um ataque de nervos um ser fleumático. Ainda assim os deuses da fortuna estiveram connosco. É que já se sabe que no fim do arco-íris há um Pote, e Suarez por caminhos sinuosos encontrou o ouro. Antes do intervalo, Rui Silva evitou que o Braga arrombasse o cofre, após Lelo ter aplicado um pé de cabra (a bola elevou-se quase na perpendicular, como se tivesse levado uma marrada).

 

No segundo tempo, não se registaram melhorias significativas. Borges trocou Morita pelo "Ponytailshvili", mas o rabo de cavalo ("chonmage") não faz um samurai (dos bons tempos do japonês), a sua bravura sim. Já a entrada de Alisson (por Trincão, cujo holograma foi projectado no relvado durante 1 hora) deu mais velocidade e capacidade no 1x1 à equipa, mas Suarez, já muito cansado, disso não beneficiou. Entrou então Ioannidis, um jogador com maior potência e que se julgaria ideal para finalmente aproveitar o muito espaço existente nas costas dos bracarenses. Paradoxalmente, o Sporting nunca o solicitou dessa forma, antes pedindo-lhe um jogo associativo. Incapaz de exercer a mesma pressão sobre a saída de bola que é uma das grandes virtudes de Suarez, o não aproveitamento das melhores qualidades do grego acabou por ser um "loose-loose" para o Sporting. E assim o Braga foi continuando a acreditar, até que Hjulmand puxou a camisola de um adversário numa bola parada e o VAR assistiu o árbitro no sentido de este marcar o competente penalty. Zalazar não perdoou (o que é uma características dos Zalazares, seja em que país fôr) e assim voaram 2 pontos que nos teriam permitido simultaneamente aproximar do Porto e distanciar do Benfica. "É o que é",  dirá o Rui Borges naquele seu jeito sincero e conformista de quem não esconde a realidade mas também não a contraria, e "nesse sentido" talvez seja melhor pôr-se a pau, porque o treinador parece preso a estatutos, não está a aproveitar as melhores características dos seus jogadores, claramente menosprezou na antecâmara da época a importância da posição "8" e não está a conseguir suster a instabilidade exibicional que faz a equipa descer do 80 até ao 8 no espaço de duas semanas. Já não há Gyokeres, para esconder o que está menos bem, pelo que Borges hoje trabalha sem rede. E também não há St Juste, o que se calhar não é o melhor para o ambiente do balneário. Não há coincidências, nada acontece por acaso. E quem acredita no acaso, cedo ou tarde acaba por deparar-se com o ocaso. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Suarez 

28
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Comte, Conte e contos


Pedro Azevedo

IMG_5612.webp

Mozart destacou-se pelas suas composições para viola, violino e violoncelo, por isso não foi de admirar que na sua cidade natal, Salzburgo, o Porto tivesse passado a maior parte do tempo encostado às cordas. Na Luz, a diferença entre o sucesso e o fracasso foi um dedinho (6 cm). A novidade é que esse dedo não foi ainda do treinador, como Mourinho prometera, mas sim do VAR, que antes Mourinho renegara. Ironias da vida...

Quem não esteve para recitais nem para arriscar 1 milímetro foi o Rui Borges, que cedo viu a sua equipa entrar em modo cruzeiro e nada fez ao leme para alterar o rumo dos acontecimentos, por muito que agora se queixe de facilitismo. Na Amoreira a pensar no San Paolo (Diego Maradona), o Sporting portou-se como aquele homem que está presencialmente com uma mulher, mas espiritualmente tem o pensamento noutra. Claro, podia-se ter escolhido um padrão de homem diferente, por exemplo um jovem a viver o seu primeiro grande amor e totalmente empenhado nesse sentimento: um Sporting à imagem de João Simões. Mas não, na hora da verdade imperou o pragmatismo absoluto e lá entrou o burocrata número 1 do reino do leão (Kochorashvili), aquele de quem Rui Borges diz estar um pouco aquém mas ainda assim nunca deixa além. E depois veio o Fresneda (dele já pode dizer-se que foi à linha... de Cascais), para assegurar que o dia no escritório não escaparia mesmo da madorra, pelo que os únicos sobressaltos vieram mesmo da imensidão de passes falhados por Inácio, o que já vem sendo recorrente nos últimos tempos. O problema dos serviços mínimos é que para se saber se são suficientes, primeiro é necessário ter a noção do que é demais, e o Sporting nem perto esteve do demais, arriscando assim a que o entendido por suficiente se pudesse ter traduzido em insuficiente e dois pontos tivessem voado. Não aconteceu, mas, a repetir-se a experiência, é certo que um dia acontecerá. "É o que é" - ouvir-se-á então, quando na verdade o que for será exclusivamente porque o quisemos assim, "deixando correr o marfim" para depois ficarmos de "trombas". Ontem também perdemos a oportunidade de dar minutos que se vissem a jogadores que nos sobressaltam o coração, como o Quaresma e o Simões (à espera que o Kocho tenha um traumatismo no rabo de cavalo, a fim de jogar), da nossa Formação, ou o Ioannidis, este último com a "oportunidade" de ir finalmente a campo num momento em que a equipa tinha já abdicado totalmente de jogar à bola. Depois, queixamo-nos de que o nosso campeonato não é competitivo e espalhamos o conto de que assim não temos ritmo para a Europa, quando somos nós os primeiros a tirar o pé do acelerador, por opção. Os que o tiraram, porque Trincão não chegou sequer a aproximar-se do pedal em nenhum momento. Fica porém a ideia de que com tanta poupança, menos do que uma vitória em Nápoles soará a derrota. Já dizia o Comte (o Auguste), que tudo na vida é relativo, e esse é o único valor absoluto. Veremos se o Conte (o Antonio) estará pelos ajustes...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo 

23
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Génio à solta em Alvalade


Pedro Azevedo

IMG_5609.webp

Sobre Rui Borges justo será  dizer-se que é um paizão que tem os filhos (jogadores) indiscutivelmente com ele (vê-se nos "beijinhos e abracinhos" e também na alegria estampado no rosto dos jogadores que estão no banco), a sua equipa apresenta uma dinâmica ofensiva e uma variabilidade táctica super interessantes e a atitude (do treinador) perante o jogo evoluiu bastante, querendo agora sempre mais golos após colocar-se em vantagem. Mas tem um problema: quer demasiadamente ter razão, isto é, quer provar que os jogadores contratados neste mercado foram uma boa escolha. É natural e humano que se queira ter razão, mas quando essa razão não serve um bem colectivo, das duas uma: ou não se tem assim tanta razão (o momento pontual do jogador não ser o melhor, jogar numa posição desajustada para ele ou ainda não conhecer bem as movimentações da equipa, para dar alguns exemplos), ou essa razão não serve para nada. Vem este arrazoado a propósito da preferência ad-nauseam por Kochorashvili no meio campo, que, não deixando de ser um jogador interessante e uma razoável alternativa para a posição 6, como 8 não só não dá aproximação à área adversária como entra nos terrenos de Hjulmand e lhe retira protagonismo. Valha a verdade que apesar disso podíamos ter chegado ao intervalo a ganhar por 2 ou 3, o número aproximado de oportunidades que o Luís Suarez perdeu na cara do golo. Suarez que combinou bem, lutou imenso (uma das suas finalizações resultou de um desarme que fez a um defesa), mas não marcou durante a primeira parte, um período onde se pôde observar que Vagiannidis é mais rápido e defende bem melhor do que Fresneda. 

Na segunda parte, a equipa teve alguma dificuldade no primeiro quarto de hora. Mas depois o Maxi rendeu o Mangas e o Morita o Kocho, e o nosso jogo melhorou substancialmente. O japonês está longe da sua melhor forma (por azar chegou até a impedir um golo de Pote), mas só o facto de se posicionar à frente e não a par de Hjulmand já ajuda a melhorar o colectivo. E depois a dinâmica da trindade formada por Pote, Trincão e Quenda faz o resto, dinâmica essa que gera um carrossel que constitui um pesadelo para qualquer adversário. E há ainda Suarez e Maxi, ambos sempre em movimento - o colombiano por dentro e o uruguaio tanto por dentro como por fora -, e em combinações sistemáticas com os colegas, que se juntam a este tridente, Hjulmand e Morita a funcionarem como caixas de ritmos e os "Quarterbacks" (Debast e Inácio) a porem as bolas milimetricamente entrelinhas, todos juntos a operarem em órbitas como os 9 círculos do inferno (como Dante os via) para qualquer adversário. Então, as oportunidades foram-se sucedendo, Pote igualou Suarez nos golos desperdiçados (muito mérito do guarda-redes) e Maxi concluiu um grande detalhe individual com um remate a rasar o poste, até que Trincão pegou na bola e dentro de duas caixas de fósforos acendeu o rastilho de dois penáltis, que Suarez e Pote (o colombiano já havia saído) converteram. Refrescando consecutivamente a equipa, Rui Borges veria ainda Alisson explorar inteligentemente o espaço e servir o grego Ioannidis para o primeiro golo de leão ao peito. É verdade, o Alisson esteve muito bem nesse lance, com processos simples e eficazes. E o Leitor dirá: "Então, Pedro, ainda pensa que o brasileiro é poucochinho?" Sem problema, embora ainda tenha algumas dúvidas, nomeadamente acerca da sua qualidade no 1x1, não faço questão de ter razão. Melhor, prefiro não a ter e ela assistir inteiramente ao nosso Sporting. Como deve ser. Como faz todo o sentido. E o Simões? Nessa não me convencem: "Ó Mister, meta o Simões para sermos tricampeões" (acredito piamente que com ele de início não teríamos perdido com o Porto). Rima e tudo. [Seja como for, o Sporting hoje produziu um "statement" que deve ter deixado Mourinho (e Farioli) com a pulga atrás da orelha. Temos campeonato.]

Como diria o Sérgio (Godinho), que por acaso até é Sportinguista, hoje soube-me a pouco (podiam ter sido 8!!!), contra uma equipa ainda por cima muito bem arrumada no campo e com princípios muito interessantes montados por Vasco Botelho da Costa, um treinador muito promissor. 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão

14
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

“Virgínia Plain” e cenas da (meta)física


Pedro Azevedo

IMG_5593.webp

A semana desportiva ficou marcada pela ameaça do Nacional de não comparecer ao jogo no Dragão e pela oposição da velha "ilógica jesuíta" (por ser atribuída ao filósofo Jorge Jesus) à "razão iluminista" (coisa de lampiões, logo dirimida na Luz) sobre ser mais difícil para uma equipa jogar contra menos um. Sugestionado pela leitura dos jornais acerca destes dois temas e alarmado pelas mais recentes novidades sobre o reforço da enfermaria sita em Alcochete, cheguei a pensar que, com a colaboração da sempre prestimosa Unidade de Performance, um gabinete altamente científico onde se realizam experiências cujos resultados oramos que não sejam coincidentes com o título daquela biografia sobre o Jim Morrison ("Daqui ninguém sai vivo"), o Sporting iria experimentar jogar em Famalicão com apenas 10 jogadores, admitindo-se até uma falta de comparência como preferível à terrível e desvantajosa ocorrência (segundo mestre JJ) de vir a ter o elenco completo em campo. Mas tudo não passou de um pesadelo associado às notícias de que Rui Silva e Geny haviam metido baixa, juntando-se assim não só a Morita, Nuno Santos, Diomande e Bragança, mas também a Maxi, que entretanto conseguiu escapar por uma janela (de oportunidade) e chegar a Famalicão com meia hora ainda por jogar.  

De Liverpool (Everton) veio um guarda-redes que nos últimos 5 anos jogou muito pouco, tão pouco que não chegou a fazer metade dos jogos de St Juste, o que está tanto como indicador para o futebol quanto o azul de tornassol para a química. A coisa pode ser vista como negativa, no sentido de lhe faltarem rotinas. Mas há também uma vantagem: um guarda-redes assim pode ainda ser trabalhado, não vem com vícios da posição (frangos). É um "Virgínia Plain" (sem filtro), como a canção homónima dos Roxy Music, uma banda que é sabido sempre ter tido um certo "glamour". Ontem não esteve mal, mostrou-se sereno, "cool as a cucumber" (como se diz em Inglaterra). Na direita da defesa tivemos o Vagiannidis. O grego evidenciou-se bem mais composto a defender do que Fresneda (e não só devido ao superior penteado). E a atacar é melhor na ligação com a equipa por dentro e também procura mais a linha de fundo para cruzar, apenas perdendo para o espanhol no que toca a aparecer na área como homem extra a finalizar. À sua frente esteve Quenda, mais forte que Geny no jogo interior mas menos vertiginoso no ataque à profundidade. De um seu passe de ruptura por dentro viria a surgir o golo do empate, que antes o Famalicão adiantara-se no marcador após uma bola parada, uma reedição da nossa visita ao Nacional da Madeira (como se marca ou sofre um golo de uma bola que está parada continua a ser um dos sortilégios da física moderna, a par da mecânica quântica e da Teoria da Relatividade), o que é um pouco preocupante quando se quer ganhar todos os jogos. Na finalização desse nosso golo esteve Pote, que primeiro foi ardiloso na forma como fugiu ao defesa e com um toque na bola o tirou da jogada, para depois, cara a cara com o guarda-redes, batê-lo com um remate de trivela que lhe passou entre as pernas. O intervalo chegou sem que a igualdade se desfizesse, com o meio campo famalicense de Gustavo Sá e do excelente Mathias de Amorim a ser capaz de jogar olhos nos olhos com o nosso. 
 
O Famalicão já não conseguiu surgir tão afoito no segundo tempo e o jogo passou a ter uma única direcção. Kochorashvili soltou-se um pouco mais e começou a aparecer mais junto da área minhota. Uma dessas suas iniciativas foi aproveitada por Mangas para cruzar, mas Quenda acertou na trave. Até que Trincão e Pedro Gonçalves combinaram pelo centro e, após umas carambolas e tiro ao boneco, a bola regressou a Pote, que de pronto assistiu Suarez para o nosso segundo golo. Logo de seguida, Ionnidis estreou-se, mostrando um estilo de jogo contrastante com Suarez, o grego mais à semelhança de Gyokeres, usando a sua potência e explorando preferencialmente o corredor esquerdo como ponto de partida, o colombiano jogando mais em combinações com Pote e Trincão e com uma acção circunscrita ao corredor central. Maxi regressou, o que foi uma óptima notícia. Mas o melhor momento da noite para mim foi ver João Simões de volta ao nosso meio campo. Não foi preciso muito para o jovem da nossa Academia provar aquilo que pode dar de diferente à equipa, agredindo o Famalicão através de uma série de fintas com que se desembaraçou de dois oponentes e de um remate, já dentro da área, superiormente defendido pelo guarda-redes. Com a sua entrada, o Sporting passou a ter alguém capaz de transportar a bola de fora para dentro do bloco adversário, uma variação interessante face ao passe entrelinhas. A noite porém ainda traria outra surpresa agradável com a inclusão de Quaresma, chamado para garantir o sucesso nos duelos individuais, que assim uma vez mais mostrou a razão da sua utilidade. Pena foi o apito derradeiro do árbitro lhe ter cortado um lance em progressão pelo lado esquerdo que parecia promissor. Antes havia entrado o Alisson, um fetiche de um treinador como tantos outros fetiches de treinadores que ao longo dos anos nos habituámos a observar. Em doses moderadas, que não criem habituação ou dependência, é capaz de não produzir grandes danos à nossa saúde desportiva. 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

23
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um Pote de 3 na Taberna do RB


Pedro Azevedo

Entre os estados de alma mais comuns num português destaca-se a melancolia. Nesse sentido, nada lhe suscita tanto esse sentimento como uma visita a Sintra. Ou à Choupana, caso o indivíduo em questão seja um jogador de futebol da Primeira Liga (o Sintrense ou o 1º de Dezembro jogam em divisões inferiores). As brumas da memória são suscitadas pelo denso nevoeiro que habitualmente aí se faz sentir e logo por encantamento se ergue um súbito e sebastiânico desejo de regresso às origens. Se em Sintra esse vazio presente é também um sinal de fome e será compensado com a ingestão de um Travesseiro da Piriquita, na Choupana, o regresso às origens é muitas vezes sinónimo de viagem de volta até à Portela (ou outro aeroporto do país), sem que um jogo se possa disputar, havendo uma solução alternativa, envolvendo também um travesseiro, mas de um quarto de hotel no Funchal, caso haja a suspeita de que o manto de neblina se possa dissipar com brevidade. Na Choupana, tentar concertar a hora do jogo com um dia de céu aberto é como jogar à roleta russa com um revólver com um tambor para 6 balas em que 5 estão na câmara. É por isso probabilisticamente mais fácil um banheiro (nadador-salvador) na Antártida ter trabalho do que um jogo começar à hora marcada no estádio do Nacional. Por isso, vai-se à Choupana com a mesma convicção que se visita o Monte Olimpo, quase seguros de que não haverá ninguém para nos abrir a porta, que certamente estará reservada só para os deuses. O exotismo de uma realidade assim no nosso campeonato é uma singularidade lusa. Acresce ao misticismo associado a Rio Maior, onde Casa Pia e agora também o Tondela jogam (atendendo à especificidade do local escolhido, os jogos devem dar uma grande moca), àquele pântano jamorense que no inverno serve de base a um campo de golfe de bem mais do que 18 buracos que já foi domicílio da B SAD e ao AVS ou AFS que um ciclone em Vila Franca fez levantar vôo até aterrar na Vila das Aves. Como prémio por toda essa criatividade, Proença chegou a presidente da Federação, em trânsito para a UEFA, onde será de esperar que fique responsável pela organização da final da Champions no rochedo de Gibraltar, com a ilha da Armona como segunda hipótese. 

 

Por sortilégio, houve jogo. Talvez pelo inesperado da situação, entrámos mal e cedo sofremos um golo numa desatenção de Morita, na sequência de um pontapé de canto. Após o golo, o Nacional recuou ainda mais as linhas e procurou fechar todos os espaços. Mas o Sporting tem jogadores capazes de desequilibrar e logo Pote fez a bola estrelar na barra. Mangas deu duas assistências para Trincão e Hjulmand, mas a bola não entrou. Perto do fim da primeira parte, o Nacional viu-se reduzido a 10 unidades. No Sporting, Pote ficou coxo e estabeleceu assim um interessante dueto homófono com Kocho, que entretanto substituiu o lesionado Morita. Após o intervalo, Trincão recuperou uma bola no seu meio campo, tocou para Geny, este para Fresneda, Suarez deu de calcanhar e Pote venceu a malapata e empatou a partida. Pouco depois, novo golo, mas o recém-entrado Vagiannidis estava em fora de jogo depois de Suarez ter executado um passo típico do bailado clássico sob a forma de um "pas-de-deux" em que o par (a bola) ficou para segundas núpcias. O locutor dizia que Pote coxeava, e a coxear tirou dois do caminho e fez gala daquele tipo de passe social que dá direito ao uso das redes nacionais. O passe, entrelinhas, foi de Inácio. Harder viajou de avião até à Madeira, mas foi de carrinho que fez o terceiro. Na assistência em viagem esteve o Pote, sempre ele. Para quem diz que o futebol do Sporting é um tiqui-tasca (ou Taberna Mecânica), hoje não se serviram penáltis. Em compensação, houve copo de 3, ou melhor, um Pote de 3, na medida em que o Pedro Gonçalves ainda viria a assinar o quarto golo do Sporting, coroando assim uma exibição soberba, pelo que a lamentar apenas o Quenda se ter deixado levar pela nostalgia, o que teve como consequência a sua mente ter andado ausente do relvado, facto para o qual tambem não contribuiu positivamente "O Mistério da Estrada de Sintra" de ter reaparecido como lateral esquerdo ("Oh m'Eça!!!").

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

poten.jpg

 

21
Ago25

Inquérito ao Leitor


Pedro Azevedo

IMG_5573.jpeg

Portugal é um país onde se vê muito pelo retrovisor, sendo essa uma das razões que justifica tantos acidentes, tanto "estampanço". Olha-se para o passado, longínquo, como reforço da auto-estima, porque é nele que se encontram verdadeiros exemplos de afirmação de um povo. Também porque o presente não é bom e o futuro é como a saúde, ou seja, mais dia menos dia não augura nada de bom. Há, contudo, quem seja optimista. Dou um exemplo: quem escute, olhe ou leia a imprensa desportiva nacional durante o defeso fica sempre com a ideia de que o Benfica será campeão e de que o Porto lutará até ao fim com o clube da Luz pelo título nacional. Todavia, há uma "aldeia" de irredutíveis Sportinguistas que não se resigna e acredita, ainda que entre os adeptos de outros clubes e na tal imprensa atraiamos um público equivalente ao de um banheiro do Instituto de Socorros a Náufragos de plantão na Antártida. Curiosamente, neste caso específico, o passado recente suporta esse nosso optimismo, mas a imprensa, sempre tão agnóstica em relação ao presente e ao futuro, aqui abre uma excepção: pouco interessa o Sporting ser Bi-campeão, o Benfica com as pazadas de jogadores novos que chegam todos os anos é o favorito número 1. Como neste tipo de coisas sou um pouco como São Tomé, isto é, gosto de ver para crer, abro aqui espaço para os Leitores/Comentadores no sentido de se pronunciarem sobre quem serão, em Vossa opinião, por ordem decrescente, os quatro primeiros classificados do campeonato de 2025/26, pedindo ainda para eiencarem uma qualidade (ponto forte) e um defeito (ponto fraco) de cada um desses competidores. O meu agradecimento prévio a todos. . 

18
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Inferno de Dante


Pedro Azevedo

IMG_5554.jpeg

O inferno de Dante começou quando apanhou Geny pela frente. Entre reviengas para dentro, engodos por fora, túneis escavados por entre as pernas e "cabritos", o pobre do Dante reviveu a visão do inferno de Alighieri, formado por nove círculos (tantos quantas as voltas que deu sobre si próprio), três vales (em termos de maus momentos, depois de Geny, ainda teve de levar com Quenda e Vagiannidis), dez fossos (nem as obras no estádio esconderam a sua depressão profunda) e quatro esferas (aproveitando uma promoção especial, num pequeno desvio ao enredo original, as esferas foram na verdade 6, o equivalente em bolas redondinhas de golo). E se o Sporting ameaçou pela direita, acabou por ser pela esquerda que ficou em vantagem, através de Mangas. Depois. um jogador do Arouca, com os pitões em riste, usou as costas do Inácio como a ranhura de um TPA por onde se introduz o cartão de multibanco e, como débito, além de expulso, deu um penalty ao Sporting que Suarez logo converteu. Não tardaria muito até que Trincão, recebendo um passe de Inácio, marcasse o terceiro. Veio o intervalo, naquele jeito de muda aos 3 e acaba aos 6, e no recomeço o Vagiannidis apareceu no lugar do Fresneda. Os ganhos foram automáticos, no corte de cabelo e na qualidade do cruzamento. Então, mal tocou na bola, o grego aproveitou o facto do Dante estar a pôr 3 leões em jogo e proporcionou a Mangas o quarto da noite em formato de assistência, termo que no dicionário do Fresneda vem descrito como algo equivalente aos 12 Trabalhos de Hércules (Héracles), que por acaso também era grego (isto anda tudo ligado...).. 
Depois, o Quenda pegou na bola pelo meio e serviu no espaço o Suarez. Aquilo que se lhe seguiu poderia ser melhor explicado por praticantes de caça, tal o poder de coice da Browning que o Suarez tem escondida no seu pé esquerdo. O Suarez (é fixe!!!) tem uma espingarda no seu pé esquerdo e o Hjulmand uma máquina de flippers nos seus dois pés, sempre pronta a fazer "tilt" (que jogador!!!). O Harder entrou, e quando o dinamarquês pisa pela primeira vez o relvado a sensação é semelhante à de um touro a entrar numa arena. A vontade é muita, a falta de discernimento também. Por isso, não só perdeu um golo cantado como também não viu o Kocho desmarcado (pelo menos o Kocho não caiu, como naquela anedota com o fanhoso). Bom, mas eu havia-vos dito que isto mudava aos 3 e acabava aos 6, pelo que devem estar à espera do último golo. E ele existiu, às 3 tabelas, cortesia do Trincão , porque se com o Suarez é à lei da bala (já com a cabeça identifica-se muito com o Gyokeres) e com o Hjulmand há flippers, então o Trincão tem todo o direito a usar o taco de bilhar. 

Tenor "Tudo ao molho...": Ricardo Mangas. Hesitei entre ele, o Trincão e o Suarez, mas escolhi o olhanense porque, na comparação com os outros 2, cada golo seu é o equivalente ao preço de um café num jantar de marisco no Gambrinus. 

P.S. Suarez é fixe!!! Assinado: MASG (Movimento de Apoio Suarez a Goleador).

08
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Rumo ao Tri !!!


Pedro Azevedo

IMG_5509.webp

Caro Leitor, gostei muito da dinâmica do Sporting, esta noite, em Rio Maior. A crítica implica com o desejo de Rui Borges deixar a sua impressão digital no jogo do Sporting, mas esquece-se que esse cunho pessoal, a julgar pelas suas iniciais (fui consultar a Tabela Periódica, que as aulas de Química afinal serviram para alguma coisa), traduz-se em Rubídio (Rb). Rubídio? - Perguntará o Leitor. Sim, Rubídio, um elemento de número atómico 37, usado como propulsor em viagens de foguetão. O Sinatra cantava "Fly me to the moon" e o Rui Borges promete mesmo levar-nos lá. Por mim, está perfeito, desde que lá não cheguemos em Quarto Minguante. Nos jornais e nas televisões interpretam-se as tácticas de Rui Borges como quem lê um manual de instruções de um móvel do IKEA em sueco, sem o Gyokeres ao lado para traduzir. O resultado é uma monumental dor de cabeça, uma noite mal dormida e um acordar cheio de olheiras, ou alheiras, ou lá o que é.... (Como a tradução é muito pior do que a acção em si, este quadro clínico, se conjugado com uma toma diária de xarope de Rui Malheiro ou de Tomás da Cunha, pode mesmo tornar-se mortal.)

 

O número 37 não é inocente, na verdade até é magico. Divida-se um número com 3 dígitos iguais pela soma desses dígitos e o resultado será sempre 37. Exemplos: 111/(1+1+1), 222/(2+2+2), ... , 999/(9+9+9). Pelo que, ainda que não saibamos explicar bem porquê, há algo de magia na aura que acompanha Rui Borges, mesmo que não seja crível vê-lo a serrar pessoas como o Luis de Matos ou o Copperfield (será mais fácil vê-lo a "serrar presunto", no banco, na altura das substituições). Aplicado às tácticas, esse número mágico poderia realizar-se através de  um sistema de 3-3-3, ainda que para isso tenhamos de jogar com menos um, o que pouparia aos comentadores a maçada de atirar ao calhas onde colocar o jogador a mais, se na defesa (4-3-3) ou no  meio campo (3-4-3). 

O Sporting entrou muito bem no jogo. Hjulmand tem uma máquina de flippers nos pés, com ele a bola está sempre a ser metida no meio, passe raso, entrelinhas, com intensidade. Depois, há Pote e Trincão, dois magos da bola. Foram eles que combinaram para o primeiro golo, com Pote a esperar até ao derradeiro instante para oferecer a Trincão as melhores condições para marcar. Na génese da jogada esteve um passe tremendo de Diomande, de cerca de 40 metros. Não desgostei de Suarez. Não tem o "killer instinct" de Gyokeres, não marcará os mesmos golos, mas luta muito peia bola e combina ao primeiro toque. O único senão que lhe aponto, além de ter falhado na finalização, é não entender que por vezes é necessário segurar a bola de costas até chegar um colega a quem a passar. Também apreciei a estreia de Mangas, um cavalo na ala esquerda, que acabou por substituir competentemente o grande jogador que é Maxi Araújo. Pelo que além da exibição apagada de Fresneda, de lamentar apenas as lesões de Diomande e de Maxi. 

Após a forma como a nossa equipa se exibiu, quem achava que o campeonato para Benfica ou Porto seriam "favas contadas" vai ter de repensar os cálculos. Ou, então, "ir à fava", que brindes já nem a ASAE permite no bolo-rei. E nós? A gente vai continuar. Rumo ao tri!!! 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão 

17
Mai25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

I Believe


Pedro Azevedo

IMG_4142.webp

Não foi por acaso que de entre todos os activistas negros que surgiram nos anos 60, Martin Luther King foi aquele que mais se evidenciou. Ele repetia incessantemente a frase "I believe", e isso criou um elo emocional com as pessoas. Lembrei-me disso a propósito do nosso técnico Rui Borges, que desde a primeira hora em Alvalade não se cansou de afirmar que acreditava no título de campeão nacional. Não era um título qualquer, era o Bi, algo que não acontecia desde o longínquo ano de 1952 (acabou em tetra em 1954). Com a conquista do Bi, o Sporting saiu definitivamente do armário, trocou a naftalina do passado de museu pela adrenalina do presente de glória, ganhou uma nova vida, com Gyokeres a emular o Peyroteo do tempo dos Violinos. 

O jogo com o Vitória era uma final. As finais não se jogam, ganham-se, e o Sporting venceu. Em grande evidência estiveram Quaresma, Debast, Maxi, Gyokeres, mas o melhor foi a equipa. Nervosa de início, progressivamente confiante com o tempo e as notícias que vinham de Braga. E depois apareceu o génio da lâmpada, a art-Deco, a classe nascida em Vidago e aprimorada em Alcochete de um jogador que não precisa de grande condição física, que só necessita do corpo para lhe transportar o cérebro que vê coisas que outros nem sequer imaginam. Falo-vos de Pedro Gonçalves, claro, um pote cheio de magia. E o que dizer de Gyokeres? Uma imagem (a máscara), repetida quase uma centena de vezes. vale mais do que mil palavras. Em resumo, ele foi o justiceiro enviado para devolver ao Sporting a sua grandeza. Uma grandeza que não consiste em receber honras, mas sim em merecê-las. Como um dia enunciou William Shakespeare. 


Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araujo 

11
Mai25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

A Última Tanga na Luz


Pedro Azevedo

IMG_4130.jpeg

Desde que o Marlon Brando - é favor não confundir com aquele que numa das originalidades tão típicas do povo brasileiro foi baptizado como Marlon Brandão e jogou por nós, que igualmente tinha queda para a representação, ou melhor, representava bem a queda (na área), mas não necessariamente devido a escorregar na manteiga - contracenou com a Maria Schneider em O Último Tango em Paris que se tornou comum apelidar exibições fora do comum de jogadores argentinos em pré-reforma como "O Último Tango". E, para não se confinar à Argentina e ao tango, a coisa depois generalizou-se à dança, como é exemplo o excelente "The Last Dance", da Netflix, que tem como foco Michael Jordan e os Chicago Bulls (de Pippen e Rodman, também). Mas falava-vos do Último Tango porque, na antecâmara do Benfica-Sporting, a imprensa agitou muito a possibilidade de o Di Maria se poder despedir em glória ou beleza. E, caso não o conseguisse, ainda lá estaria o Otamendi para ser o protagonista. Já sobre o Sporting, a mesma imprensa concentrou os seus prognósticos quanto a herói no Gyokeres. Por cinquenta e duas razões, o que me pareceram razões mais do que suficientes para suportar a visão de tais cassandras. 

Bom, mas uma coisa são previsões, outra, bem diferente, é um jogo em si. Veio então o jogo que podia decidir tudo e para qualquer um dos lados. E a primeira coisa que há que contar é que o Di Maria saiu ao intervalo sem glória e que o Otamendi devia ter saído ainda mais cedo, por volta do quarto de hora, fizesse o inefável João Pinheiro um bom uso do apito. Por outro lado, o Gyokeres também não conseguiu fazer muita diferença, embora o lance do golo madrugador do Sporting tenha sido todo fabricado por si até ter sido entregue a Trincão para ser transformado. Pelo que dos parágrafos supra se conclui que não houve Último Tango, ao mesmo tempo que se deduz ter havido, sim, uma última tanga protagonizada pelo melhor árbitro de Portugal Continental, Madeira e Açores, que mais uma vez se mostrou à altura do cartel que o país inteiro consagrou e a UEFA e FIFA teimosamente insistem em não querer ver. Uma má vontade, certamente, que o apagão arbitral na Luz deveu-se a um pico de tensão motivado pelo excesso de produção de renováveis (é impressionante a forma como o Conselho de Arbitragem renova de derby para derby, de Clássico para Clássico, a aposta num mesmo árbitro).

Se os rivais tentassem a sorte no Totobola, o Benfica jogava para uma aposta simples na vitória e o Sporting apostava numa dupla X2. Poder realizar uma aposta múltipla era uma vantagem para os leões, mas as águias tinham o factor casa do seu lado, pelo que cedo se percebeu que o jogo seria decidido nos detalhes: o Trincão marcou no seu estádio talismã aquilo que tarda em fazer no seu próprio estádio, o Diomande e o Quaresma escorregaram e o Benfica empatou, o João Pinheiro engoliu o apito na lance de Otamendi sobre o Pote no exactíssimo momento em que o VAR precisou de ir à casinha e o Sporting não matou o jogo e o campeonato aos quinze minutos na Luz. Reclama porém o Benfica um daqueles penáltis da tanga, formal e informalmente. Formalmente, porque não seria crível que um jogador expulso pudesse ser ressuscitado para o jogo a tempo de que sobre ele viesse a ser cometido um hipotético penalty. De forma informal, na medida em que a encenação de queda do Otamendi foi mais digna de um canastrão de filme de série B(enfica) sul-americano do que de um com todo o mérito campeão do mundo. 

No final, o jogo que tudo decidiria deixou tudo em aberto para a última jornada. Salvou-se o Benfica de um match-point no seu serviço e safou-se o Sporting de entrar no tie-break em profunda desvantagem. Agora fica tudo adiado para o Vira minhoto, com Braga e Guimarães a irem decidir a sorte dos dois rivais de Lisboa. Apesar de tudo, o Vira sempre tem mais mérito do que o Tango, perdão, a tanga... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand. Menção honrosa para Quaresma 

Mais sobre mim

Facebook

Apoesiadodrible

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub