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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

29
Set25

Cá e lá


Pedro Azevedo

Na visita do Arsenal a St James Park houve um claro argumento para que os Gunners reclamassem 3 grandes penalidades não assinaladas a seu favor, todas elas muitíssimo mais nítidas do que aquela putativa que o Benfica reclama ter havido a favor do Estoril (e contra o Sporting). A verdade é que os protestos esgotaram-se durante o tempo do jogo, pelo que os seus ecos não durarão nem servirão para a criação de narrativas conspirativas e de vitimização, independentemente daquele que foi o critério seguido pelo árbitro (e VAR). E porquê? Porque se confia na arbitragem e aceita-se o erro, não há dúvidas acerca da idoneidade dos árbitros e aqueles que não seguem um comportamento ético, ainda que não relacionado com a viciação de resultados, são imediatamente afastados. Mas isso acontece em Inglaterra, o Start-of-Art futebolístico dos nossos dias. Já em Portugal, estamos na Idade Média, para não dizer que no tempo dos cromagnons e suas pinturas rupestres (há comentários que recebo neste blogue e envio imediatamente para o lixo que são menos elaborados que essa arte de caverna). Não se valoriza o futebol, duvido até que se goste de futebol. Gosta-se do clube, isso sim, e de ganhar, seja a que preço for, condicione-se o que tiver que se condicionar (basta analisar as eleições do Benfica e ouvir o que os candidatos dizem sobre essa matéria). No fim, o produto Futebol Inglês é altamente conceituado e o Futebol made-in Portugal, pese embora todo o talento do jogador nacional (os jogadores são o melhor que o futebol tem), não passa da cêpa torta. É o que é - como diria o outro. 

28
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Comte, Conte e contos


Pedro Azevedo

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Mozart destacou-se pelas suas composições para viola, violino e violoncelo, por isso não foi de admirar que na sua cidade natal, Salzburgo, o Porto tivesse passado a maior parte do tempo encostado às cordas. Na Luz, a diferença entre o sucesso e o fracasso foi um dedinho (6 cm). A novidade é que esse dedo não foi ainda do treinador, como Mourinho prometera, mas sim do VAR, que antes Mourinho renegara. Ironias da vida...

Quem não esteve para recitais nem para arriscar 1 milímetro foi o Rui Borges, que cedo viu a sua equipa entrar em modo cruzeiro e nada fez ao leme para alterar o rumo dos acontecimentos, por muito que agora se queixe de facilitismo. Na Amoreira a pensar no San Paolo (Diego Maradona), o Sporting portou-se como aquele homem que está presencialmente com uma mulher, mas espiritualmente tem o pensamento noutra. Claro, podia-se ter escolhido um padrão de homem diferente, por exemplo um jovem a viver o seu primeiro grande amor e totalmente empenhado nesse sentimento: um Sporting à imagem de João Simões. Mas não, na hora da verdade imperou o pragmatismo absoluto e lá entrou o burocrata número 1 do reino do leão (Kochorashvili), aquele de quem Rui Borges diz estar um pouco aquém mas ainda assim nunca deixa além. E depois veio o Fresneda (dele já pode dizer-se que foi à linha... de Cascais), para assegurar que o dia no escritório não escaparia mesmo da madorra, pelo que os únicos sobressaltos vieram mesmo da imensidão de passes falhados por Inácio, o que já vem sendo recorrente nos últimos tempos. O problema dos serviços mínimos é que para se saber se são suficientes, primeiro é necessário ter a noção do que é demais, e o Sporting nem perto esteve do demais, arriscando assim a que o entendido por suficiente se pudesse ter traduzido em insuficiente e dois pontos tivessem voado. Não aconteceu, mas, a repetir-se a experiência, é certo que um dia acontecerá. "É o que é" - ouvir-se-á então, quando na verdade o que for será exclusivamente porque o quisemos assim, "deixando correr o marfim" para depois ficarmos de "trombas". Ontem também perdemos a oportunidade de dar minutos que se vissem a jogadores que nos sobressaltam o coração, como o Quaresma e o Simões (à espera que o Kocho tenha um traumatismo no rabo de cavalo, a fim de jogar), da nossa Formação, ou o Ioannidis, este último com a "oportunidade" de ir finalmente a campo num momento em que a equipa tinha já abdicado totalmente de jogar à bola. Depois, queixamo-nos de que o nosso campeonato não é competitivo e espalhamos o conto de que assim não temos ritmo para a Europa, quando somos nós os primeiros a tirar o pé do acelerador, por opção. Os que o tiraram, porque Trincão não chegou sequer a aproximar-se do pedal em nenhum momento. Fica porém a ideia de que com tanta poupança, menos do que uma vitória em Nápoles soará a derrota. Já dizia o Comte (o Auguste), que tudo na vida é relativo, e esse é o único valor absoluto. Veremos se o Conte (o Antonio) estará pelos ajustes...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo 

25
Set25

Nureyev e Baryshnikov


Pedro Azevedo

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Há muito tempo que Rui Borges percebeu que os jogos se ganham naquela trincheira que faz o futebol moderno paradoxalmente assemelhar-se à guerra convencional, a que se dá o nome de espaço entrelinhas. E se não faltam jogadores capazes de meter a bola nessa zona, como por exemplo Inácio, Debast ou Hjulmand, depois de ela chegar ao espaço é necessário haver quem a consiga manobrar numa área de dimensões exíguas. Tal só é possível porque tanto Trincão como Pote têm pezinhos de bailarino, muito rápidos a executar,, ora mostrando ou escondendo a bolinha, como no "Jogo dos 3 Copos" . Os estilos, porém, são diferentes: Trincão é um Nureyev, intenso e dramático, enquanto Pote faz lembrar um Baryshnikov, preciso e gracioso nos seus movimentos. Em Alvalade, como no Bolshoi, ambos buscando uma escapatória (exílio) face à indolência. 

23
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Génio à solta em Alvalade


Pedro Azevedo

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Sobre Rui Borges justo será  dizer-se que é um paizão que tem os filhos (jogadores) indiscutivelmente com ele (vê-se nos "beijinhos e abracinhos" e também na alegria estampado no rosto dos jogadores que estão no banco), a sua equipa apresenta uma dinâmica ofensiva e uma variabilidade táctica super interessantes e a atitude (do treinador) perante o jogo evoluiu bastante, querendo agora sempre mais golos após colocar-se em vantagem. Mas tem um problema: quer demasiadamente ter razão, isto é, quer provar que os jogadores contratados neste mercado foram uma boa escolha. É natural e humano que se queira ter razão, mas quando essa razão não serve um bem colectivo, das duas uma: ou não se tem assim tanta razão (o momento pontual do jogador não ser o melhor, jogar numa posição desajustada para ele ou ainda não conhecer bem as movimentações da equipa, para dar alguns exemplos), ou essa razão não serve para nada. Vem este arrazoado a propósito da preferência ad-nauseam por Kochorashvili no meio campo, que, não deixando de ser um jogador interessante e uma razoável alternativa para a posição 6, como 8 não só não dá aproximação à área adversária como entra nos terrenos de Hjulmand e lhe retira protagonismo. Valha a verdade que apesar disso podíamos ter chegado ao intervalo a ganhar por 2 ou 3, o número aproximado de oportunidades que o Luís Suarez perdeu na cara do golo. Suarez que combinou bem, lutou imenso (uma das suas finalizações resultou de um desarme que fez a um defesa), mas não marcou durante a primeira parte, um período onde se pôde observar que Vagiannidis é mais rápido e defende bem melhor do que Fresneda. 

Na segunda parte, a equipa teve alguma dificuldade no primeiro quarto de hora. Mas depois o Maxi rendeu o Mangas e o Morita o Kocho, e o nosso jogo melhorou substancialmente. O japonês está longe da sua melhor forma (por azar chegou até a impedir um golo de Pote), mas só o facto de se posicionar à frente e não a par de Hjulmand já ajuda a melhorar o colectivo. E depois a dinâmica da trindade formada por Pote, Trincão e Quenda faz o resto, dinâmica essa que gera um carrossel que constitui um pesadelo para qualquer adversário. E há ainda Suarez e Maxi, ambos sempre em movimento - o colombiano por dentro e o uruguaio tanto por dentro como por fora -, e em combinações sistemáticas com os colegas, que se juntam a este tridente, Hjulmand e Morita a funcionarem como caixas de ritmos e os "Quarterbacks" (Debast e Inácio) a porem as bolas milimetricamente entrelinhas, todos juntos a operarem em órbitas como os 9 círculos do inferno (como Dante os via) para qualquer adversário. Então, as oportunidades foram-se sucedendo, Pote igualou Suarez nos golos desperdiçados (muito mérito do guarda-redes) e Maxi concluiu um grande detalhe individual com um remate a rasar o poste, até que Trincão pegou na bola e dentro de duas caixas de fósforos acendeu o rastilho de dois penáltis, que Suarez e Pote (o colombiano já havia saído) converteram. Refrescando consecutivamente a equipa, Rui Borges veria ainda Alisson explorar inteligentemente o espaço e servir o grego Ioannidis para o primeiro golo de leão ao peito. É verdade, o Alisson esteve muito bem nesse lance, com processos simples e eficazes. E o Leitor dirá: "Então, Pedro, ainda pensa que o brasileiro é poucochinho?" Sem problema, embora ainda tenha algumas dúvidas, nomeadamente acerca da sua qualidade no 1x1, não faço questão de ter razão. Melhor, prefiro não a ter e ela assistir inteiramente ao nosso Sporting. Como deve ser. Como faz todo o sentido. E o Simões? Nessa não me convencem: "Ó Mister, meta o Simões para sermos tricampeões" (acredito piamente que com ele de início não teríamos perdido com o Porto). Rima e tudo. [Seja como for, o Sporting hoje produziu um "statement" que deve ter deixado Mourinho (e Farioli) com a pulga atrás da orelha. Temos campeonato.]

Como diria o Sérgio (Godinho), que por acaso até é Sportinguista, hoje soube-me a pouco (podiam ter sido 8!!!), contra uma equipa ainda por cima muito bem arrumada no campo e com princípios muito interessantes montados por Vasco Botelho da Costa, um treinador muito promissor. 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão

21
Set25

Mourinho: uma oportunidade


Pedro Azevedo

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Não há nada mais estimulante do que poder enfrentar os melhores e ousar vencé-los. José Mourinho é um dos treinadores com maior currículo na história do futebol mundial, o que aliado ao seu carisma atrairá a imprensa internacional a Portugal (a título de exemplo, ingleses e italianos marcaram presença na sua estreia em Vila das Aves), com uma consequência imediata no reforço do mediatismo da nossa Liga, pormenor a ter em conta quando se discute o valor do pacote dos Direitos Teievisivos. Todos os clubes, e seus treinadores, se valorizam neste contexto, e é assim, peia positiva que devemos analisar o regresso de Mourinho ao nosso país. Mas uma coisa é atestar a sua grandeza, outra dar como adquirido que será campeão. Creio que Rui Borges esteve bem naquela conferência de imprensa em que declarou ser para ele um desafio pessoal defrontar Mou. Quanto maior competitividade houver, maior será também a expressão da nossa vitória. Rui Borges tem noção disso e não quererá desperdiçar a possibilidade de se afirmar definitivamente no mundo Sporting e no futebol português. Por tudo isto, vejo o regresso de Mou a Portugal mais como uma oportunidade do que como uma ameaça, uma chance de uma vida que todos os agentes envolvidos não deverão querer perder. Uma oportunidade cujo investimento (e risco) ficará exclusivamente a cargo do Benfica, mas em que o retorno será a dividir por todos. E, se, no nosso caso particular, o retorno vier acompanhado pelo tri, estão ficaremos ainda mais gratos ao Benfica e a Rui Costa pela visão. 

19
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

2 Cazaques e motores a 4 tempos


Pedro Azevedo

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O Sporting é um dos clubes mais ecléticos do mundo, e isso é um motivo de orgulho para todos nós, mas quando, no sorteio da Champions, nos calhou em sorte o Kairat Almaty, foi como se para o universo de adeptos leoninos uns "aliena" estivessem para aterrar em Alvalade. Todavia, se tivessem perguntado ao Nuno Dias, ele teria dito conhecê-los muito bem e até funcionarem como um talismã, porque foi contra a versão cazaque curto (futsal) do Kairat que o Sporting venceu a sua primeira final da Champions (2018/19). Hoje, na sua versão cazaque comprido (futebol de onze, para aqueles que não preferem jogar só com dez...), voltámos a jogar com eles. E o que se pode dizer é que, ao contrário do que reza o provérbio popular português (estranhamente não traduzido no Cazaquistão), não foi por o cazaque ser mais comprido que não se destaparam os pés. Os pés de Trincão, por exemplo, mas também os de Quenda ou Pote, que os cazaques tiveram muita dificuldade em tapar. E se Pote ameaçou muitas vezes pintar a manta, Trincão (por duas vezes) e Quenda (numa ocasião), sobretudo estes (o sobretudo aqui a fazer pandã com os cazaques não é inocente), coloriram mesmo o marcador, e com muita pinta (bonitos golos). O jogo, porém, não foi tão fácil como se possa supor: o Sporting exibiu-se aos solavancos, com minutos de alta pressão misturados com outros onde a pressão baixou e assim deixou partir o jogo e gerar vagas (ou ciclones, para condizer com as baixas pressões) de ataques cazaques perante uma cratera no nosso meio campo visível da lua (sem necessidade de utilização do telescópio Hubble). Na origem dessa turbulência esteve o facto da dupla Hjulmand/Kochorashvili não parecer muito compatível, porque o georgiano, que é bom a lançar o ataque em passes na diagonal (não tão bom no passe raso entrelinhas, muito mais letal mas não tão bonito para o público), não é um "8" que entre em progressão no bloco adversário e isso obriga o nosso capitão a jogar fora da sua posição natural ("6"). É certo que Morita ainda não está pronto para 90 minutos, mas fica no ar o mistério que leva Rui Borges a hesitar lançar João Simões, um miúdo da nossa Formação que na época passada mostrou que se pode contar com ele (entrou também muito bem em Famalicão, a justificar continuidade) e tem características que se complementam idealmente com as de Hjulmand. Será que o peso de justificar os novos reforços se sobrepõe àquilo que salta à vista ser o mais adequado? Claro, alguns dirão que não estamos lá dentro, não vemos os treinos e todo esse blá blá blá com que o situacionismo procura amiúde explicar o que não se compreende (e noutras tempos esteve à beira de pôr em causa a nossa sustentabilidade). Até haver resultados, porque, não havendo, o situacionismo move-se para parte incerta, liga a máquina de lavar no programa de centrifugação e é chegada a hora da roupa suja (sempre a do treinador), que é tempo de apoiar quem tomou a decisão de treinador mudar. Ora, o que é que isso nos trouxe no passado? Na maioria das vezes, nada de bom, como em quase todas as revoluções. Por isso, melhor seria se pequenas rectificações evitassem grandes convulsões. E é tão fácil neste momento evitar males maiores... Noutro plano, gostei muito do nosso "Virginia Plain" (ver "Tudo ao molho..." anterior), com 3 boas defesas, duas delas de grau de dificuldade elevado (mas continuo a adorar o Rui Silva). E de realçar ainda a estreia a marcar de Alisson (se for marcando, menos mal), um jogador a quem Rui Borges vai continuar a dar minutos até chegar à conclusão que não tem suficientes "éles", ou seja, profundidade e jogo interior (enquanto isso, o Flávio, da nossa Formação, um talento que podia ir sendo lançado aos poucos, fica à espera). Uma palavra também para Quaresma, que fez um óptimo jogo (no golo do Kairat, ele fez a aproximação suficiente à bola para não deixar descoberto um espaço enorme entre o jogador que cruza em cima de Inácio e o nosso primeiro homem, pelo que é Fresneda que falha no encurtamento face ao cazaque que produziu o remate vitorioso). Nota ainda para Ionnidis, um jogador para já adiado entre não entender a equipa e a equipa não o entender a ele, tantas são as vezes em que ele solicita a profundidade e como resposta vê os colegas pediram-lhe um apoio frontal, como se o grego fosse o Suarez. Assim como um jogo de futebol tem 4 momentos (organização defensiva, transição defensiva, transição ofensiva e organização ofensiva), além da bola parada, também um motor tem 4 tempos (admissão, compressão, combustão e exaustão). Só que, num motor a gasolina, a combustão dá-se na ignição, enquanto num diesel se processa por expansão, o que explica a necessária forma diferente de jogar consoante estiver Ionnidis ou Suarez em campo (Ionnidis explode via passe de ruptura, Suarez expande-se através de combinações do nosso jogo ofensivo). 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

17
Set25

Portugal não sabe Nader, yo!


Pedro Azevedo

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O rugby português derrotou as Ilhas Fiji no Mundial, Diogo Ribeiro já foi campeão do mundo na natação. Fernando Pimenta é multi-medalhado na canoagem, o andebol foi quarto classificado na competição intercontinental, o basquetebol conseguiu chegar a uns oitavos de final do Europeu, o voleibol apurou-se hoje para os oitavos do Mundial, o hóquei venceu o Europeu, João Almeida foi vice-campeão na Vuelta e agora Isaac Nader sagrou-se campeão do mundo dos 1500 metros em pista. Há muita coisa boa a acontecer no desporto português, uma progressão sustentada em poucos meios do Estado e de privados. Mas, infelizmente, na pátria do futebolês, só o ludopédio tem destaque regular nos media. E porquê? Porque os outros desportos não vendem, ou melhor, só se lembram deles quando há sucessos, não há cultura desportiva, só clubite. E também porque a imprensa entende não ser sua função ajudar a fomentar o interesse da população por outros desportos. Por isso, Portugal não merece o Nader que tem. Ponham os olhos no L'Equipe ou na Gazzetta dello Sport e vejam o destaque que as modalidades têm nestas duas publicações internacionais de referência, com múltiplas chamadas de primeira página. E comparem com o que se passa cá, onde um jogo-treino de um dos grandes na pré-época é cabeçalho de todos os desportivos. 

17
Set25

O passado, o presente e o futuro


Pedro Azevedo

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O Benfica não soube ler o futuro no momento em que despediu Mourinho (para contratar Toni) quanto ele estava numa trajectória ascendente que o levaria a vencer duas provas europeias em dois anos consecutivos pelo rival Porto (num percurso que teve um longo ciclo virtuoso que incluiu "n" troféus conquistados por múltiplas equipas) e indica ter dificuldade em interpretar o presente ao preparar-se para o contratar depois de Lage o ter eliminado (Fenerbahçe) da Champions. Agindo desta forma, o Benfica sugere estar com o foco no passado, ou seja, sempre um passo atrás, a olhar pelo retrovisor, o que como sabemos é meio caminho andado para o estampanço. 

16
Set25

Filhos e enteados do futebol português


Pedro Azevedo

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Bruno Lage, que foi adjunto de Carlos Carvalhal no Sheffield Wednesday e Swansea, não ouviu certamente o seu antigo chefe explicar tintim por tintim como joga colectivamente o Qarabag e cada um dos seus jogadores. No estranho mundo do futebol português, Carvalhal,  que chegou a uma final da Taça por um clube à época do terceiro escalão do futebol português (Leixões) e depois disso realizou óptimos trabalhos no Beira-Mar, Setúbal, Rio Ave e Braga (nunca suficientes para Salvador, que depois optou sempre por pior), teve só uma breve oportunidade no Sporting durante o turbulento mandato de José Eduardo Bettencourt (venceu o Porto por 3-0), enquanto Lage já vai no segundo ciclo no Benfica.
É caso para dizer que Carvalhal, tal como Vitor Pereira, não é um bem-amado, apesar das inúmeras provas da sua competência e conhecimento do jogo. Dava jeito ao Benfica ter um treinador assim... 

16
Set25

A Lenda Figo


Pedro Azevedo

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Ontem passei os olhos pelo "Jogo de Lendas" que opôs Portugal ao "Resto do Mundo" (ouvi alguém dizer que era um jogo de "legendas", como se o futebol, para quem o sabe jogar, não tivesse uma língua universal).  

Independentemente da causa humanitária que esteve na origem do encontro - o "porquê" das coisas é sempre mais importante do que o "o que" ou "como" -, o jogo constituiu uma oportunidade para rever vários craques do antigamente. Nessa verdadeira parada de estreias, onde não faltaram Roberto Carlos, Kaká, Balakov, Hagi ou Stoichkov, destacou-se um português: Luís Figo. 

O Figo foi um dos melhores jogadores de sempre, um dos poucos capaz de aliar o poder de finta arrebatador com uma visão espacial do jogo incomum, e isso muitas vezes é esquecido. Talvez por o homem não ser tão consensual como o jogador, mas isso é uma coisa e outra coisa é o predestinado para a bola que ele sempre foi. Pelo que mesmo a brincar ele levou a coisa a sério, tanto que mandou o grego Karagounis para o quiroprático após trocar-lhe às voltas por duas vezes. Foi o momento da noite, culminado com um golo. Para nos lembrar que quem sabe nunca esquece. 

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