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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

31
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Deixar ao Acaso


Pedro Azevedo

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As conversas sobre futebol em Portugal estão cheias de lugares comuns. Um desses lugares comuns diz-nos que num jogo de futebol há 3 resultados possíveis. Todavia, esses 3 resultados possíveis não se distribuem uniformemente (33,3% para cada possibilidade) na maioria dos casos. Por exemplo, se o Manchester United defrontar cem vezes o Grimsby Town. da quarta divisão inglesa, é mais do certo que ganhará em pelo menos 97 ocasiões, em duas talvez empate e numa poderá perder. Isso acontece porque o desnível de qualidade entre as duas equipas é enorme. Observemos agora um Sporting-Porto: eis-nos perante um verdadeiro jogo de tripla, em que a distribuição de resultados tende para a uniformidade. Ora, sabendo de antemão isto, se o Sporting quiser ter uma elevada probabilidade de ganhar ao Porto, então precisará de assegurar que é o melhor em campo. Se deixar repartir o jogo, arrisca-se ao aleatório e a qualquer um dos 3 resultados possíveis. Foi o que sucedeu ontem. (A propósito de prognósticos, havia um programa na RTP, o "Venha jogar no Totobola", que tinha um interlúdio cultural. Nesse contexto, no Jardim da Parada, o repórter apresentou-se a si e ao programa e perguntou a um popular o que pensava sobre Almada Negreiros. Depois de muito pensar e coçar a cabeça, o homem lá respondeu: "Ponha um X!")

Ao Sporting faltaram um central que se impusesse no jogo aéreo e nos duelos individuais em geral (seria Diomande), um lateral esquerdo qua além de dar profundidade soubesse jogar por dentro (Maxi), um outro lateral (direito) com um mínimo de jeito para jogar futebol (Vagiannidis?) e um médio capaz de levar a bola (Simões) em vez de se esconder atrás do bloco como Kochorashvili. Se os dois primeiros estavam impedidos por lesão, nada justifica porque os restantes não alinharam de início, sendo que um nem sequer foi utilizado durante o jogo, preterido por um Alisson que tem em excesso em "s" de "small" o que lhe falta em "l" de "large". Por isso, em vez de ser um Big Mal, é um pequeno-grande "mas" (deu nas vistas no Leiria, mas para o nível do Sporting é escasso, ou, em discurso directo do treinador que nunca será admitido exteriormente: "Já sabem o que eu quero, mas entretanto lanço o Alisson para que não se esqueçam de que eu preciso do Yeremay"). Faltando os jogadores acima referidos, é lógico que o Sporting pôs-se mais a jeito para os 3 resultados possíveis. Numa situações destas, geralmente o Gyokeres seria o melhor amigo do treinador. Estivesse ele ontem em campo e provavelmente não se falaria das ausências forçadas e das opções do treinador. Mas o sueco já cá não está e assim, tudo somado, levámos o jogo para o lado do acaso, que a bola é redonda (outro lugar comum que reúne bastante favoritismo) e o futebol "é o que é" (como se cansa de nos dizer o Rui Borges, agora que já não lhe adianta de nada acender uma velinha pela saúde do Gyokeres, assim a jeito de quem não quer que se acabe o abono de família). Quis então o acaso que um centro do Alberto - um pássaro que esteve duas vezes na nossa mão e em ambas voou, o que já não é do domínio do acaso - tivesse passado por entre pernas até encontrar o único jogador do Porto presente na área, ou que um pontapé, que William repetirá 99 vezes com consequências trágicas para os holofotes dos estádios, tivesse feito a bola entrar no ângulo.  E quando ao acaso se junta um momento raro de inspiração, então percebe-se que a balança pendeu definitivamente para quem beneficiou desses sortilégios. De pouco valeu assim ao Sporting ter tido também a sua hora de sorte, quando uma carambola entre dois jogadores do Porto fez com que a desvantagem se reduzisse, até porque Diogo Costa, com uma defesa enorme, decerto não obra do acaso, garantiu que o Porto tivesse saído ontem de Alvalade com os 3 pontos. 

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand

29
Ago25

Almeida e a UAE


Pedro Azevedo

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As tácticas da UAE, nas competições em que não tem Pogacar como líder, são o equivalente em oculto terreno aos mistérios que o espaço ainda encerra. Ontem, numa etapa com chegada a Andorra, lançaram Jay Vine na frente e deixaram o seu chefe-de-fila João Almeida sozinho no meio do mini-pelotão da Visma de Vingegaard. Hoje, na escalada a Cerler, em vez de ficarem no pelotão a impor um ritmo forte que permitisse ao João descolar os seus adversários, optaram por novamente pôr Vine numa fuga (a lutar pelo prémio da montanha), no que foi acompanhado por Juan Ayuso, que é de facto um fenómeno. Não propriamente do ciclismo, mas da ressurreição, pois. se Jesus Cristo precisou de 3 dias, o espanhol só necessitou de 1, recuperando miraculosamente de um empenanço na jornada anterior que o levou a ficar "morto" a meio da subida para Andorra. Pelo que faz sentido a pergunta: como é que uma equipa que quer ganhar a Vuelta se permite desgastar assim os ciclistas que poderiam ajudar João Almeida? O que vale é o João estar em grande forma, como hoje voltou a provar-se quando atacou e só Vingegaard e Ciccone o conseguiram seguir na roda. Com apenas 1 elemento da UAE (Soler) a preparar a jogada e sem ajuda da dupla que se lhe juntou, Almeida acabou por abdicar e ir no ritmo dos outros, mas ficou claro que poderia ter feito muito mais. E agora, o que nos reservará o futuro? Será que a UAE continuará a querer ganhar etapas ou reunir-se-á à volta de Almeida? E será Ayuso um fiel "domestique" ou dará razão àqueles que o acusam de ter uma agenda própria? Os próximos dias certamente darão resposta a estas questões, mas estou em crer que ou o "Bota Lume" dá um murro na mesa ou então a chama que neste momento tem dentro de si nunca passará de um fogão, durável mas sem a erupção de uma vida de um vulcão que a sua actual óptima forma justifica. Se acontecer, pode ser que UAE passe a significar "United Almeida Équipiers"...

29
Ago25

Sorteio da Champions


Pedro Azevedo

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Os sorteios não ganham jogos. Se ganhassem, então nem valeria a pena os jogar, logo, se se joga é porque tudo está em aberto. Como se provou na época passada, em que o obstáculo teoricamente impossível de ultrapassar (Man City) foi superado com distinção (4-1), acabando o Sporting por sucumbir perante um bem mais acessível Club Brugge (derrota por 2-1). Pelo que tudo o que se possa dizer ex-ante não passará de um exercício probabilistico, não dispensando assim o reality-check no relvado. Nesse sentido, os jogos caseiros com Kairat (especialmente este), Marselha e Brugge oferecem a possibilidade de se somarem 9 pontos, precisando o Sporting ainda de amealhar no mínimo 2 pontos nas deslocações a Turim e Bilbau para ter acesso ao play-off que o poderá qualificar para os oitavos de final. Bem mais difícil será marcar pontos na recepção ao PSG ou nas visitas a Nápoles e a Munique. Difícil, mas não impossível, como a última Liga dos Campeões provou. Assim, a minha previsão é a seguinte: PSG (D), Bayern (D), Brugge (V), Juventus (E), Marselha (V), Nápoles (D), Kairat (V), Athletic (E). No total, 11 pontos, que deverão ser suficientes para garantir o acesso à eliminatória de acesso aos oitavos-de-final da Champions. 

28
Ago25

Maneater United


Pedro Azevedo

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Alex Ferguson, aquando da sua reforma (2013), deixou-a presa numa bigorna em Old Trafford e nenhum treinador até agora foi capaz de levantar a Excalibur como um facho e afirmar-se como o herdeiro legítimo do escocês. Atraídos pela vaidade e ambição de serem o escolhido, os putativos sucessores ("Artures") têm vindo, um a um, a cair, triturados pela devoradora  máquina do Manchester United. Que já foi um Ferrari, mas hoje é um Mini. Todo artilhado, com pneus de perfil baixo, jantes de competição, motor aditivado e estofos de pele de zibelina com acabamentos a ponto de pérola, mas sem deixar de ser um Mini. Ruben Amorim é a mais recente vítima desse logro competitivo que é o Man U. Também por culpa própria, que o timing que escolheu para se associar ao projecto foi desastroso. Não foi por falta de aviso sobre os riscos de abraçar a equipa a meio da época, sem tempo para treinar uma mudança de sistema táctico, que o tecnico português deu o sim aos ingleses. Mas, impulsivo e com medo que a oportunidade não voltasse a passar-lhe pela frente, tomou o risco. O resultado está à vista: depois de uma época desapontante, uma das piores da história do clube, o início desta temporada não está a ser melhor, com um empate e uma derrota na Premier, a que se soma a humilhante eliminação de ontem à noite, para a Carabao Cup (Taça da Liga), aos pés do Grimsby Town, um clube da League 2, o quarto escalão competitivo inglês, que curiosamente equipa à "Varzim". Não é só o facto de a equipa partir-se muitas vezes em campo, os erros individuais subsistem desde o primeiro dia. E parecem faltar jogadores capazes de fazer a diferença, o que intriga face aos milionários valores de transferência de Matheus Cunha, Mbeumo e Sesko. Além disso, a atitude colectiva é deplorável, os jogadores parecem descrentes e a equipa precisa constantemente  de encaixar 1 ou 2 golos para ter uma postura competitiva minimamente admissível. A inferioridade numérica a meio campo também não ajuda, mas disso Amorim teimosamente não está disposto a abdicar. Depois, produz-se o paradoxo quando, após elevadíssimo investimento em avançados, o mais letal atacante da equipa é um defesa (Maguire) que nem sequer é particularmente bom. Enfim, um pesadelo sem fim à vista e que nos alerta para a importância do timing nas decisões que tomamos na vida. Deixando aqui o meu lamento, porque não só simpatizo com Amorim como o United é o meu clube em Inglaterra desde que o Best me apareceu à  hora de almoço de um Sábado ou Domingo (não consigo precisar a esta distância) a ensinar futebol através do ecrã da televisão (RTP), era eu ainda um menino de babete. 

27
Ago25

O Céu é o limite

Neemias "intratável" no EuroBasket 2025


Pedro Azevedo

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Portugal estreou-se no EuroBasket 2025 com uma vitória, a sua primeira em 18 anos na competição. Como antecipadamente se esperava, a grande figura da partida com a Chéquia, disputada em Riga (Letónia), foi o poste Neemias Queta, que realizou um jogo monstruoso , com 23 pontos, 18 ressaltos, 4 blocos, 2 roubos de bola e 1 assistência, números que só encontram paralelo no histórico do certame em craques como Sabonis, Shengelia ou Nowitzki. Na próxima jornada, Portugal defrontará a super-favorita Sérvia, aguardando-se com expectativa o duelo entre "Neemy" e Jokic, já eleito MVP de época na NBA.  

26
Ago25

O azar de Harder

Entre o precário e o imaginário


Pedro Azevedo

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No tempo do futebol das "balizas às costas", um jogador quando chegava à equipa principal não era um produto acabado em termos técnicos. Foi nesse contexto que mestre Szabo investiu-se de artesão qualificado de um diamante em bruto chamado Fernando Peyroteo e o talhou para o transformar no melhor marcador da história do futebol (o melhor e não o maior, por ser aquele com o rácio mais elevado de golos por jogo). O tempo avançou e nesta realidade presente do futebol moderno parece que há tempo e competências para adicionar conteúdos físicos, tácticos e até mentais (apoio psicológico privado e motivação colectiva) mas não para trabalhar individualmente a técnica de um jogador. E isso é determinante quando se olha para Harder no sentido de avaliar o seu potencial. Porque mentalmente parece muito forte, fazendo a diferença a partir do banco como se viu em Braga, fisicamente é um colosso e tacticamente, embora haja margem de progressão, sabe adequar-se ao que lhe é pedido. Assim sendo, o item que necessita de muito trabalho no sentido de justificar a progressão futura do seu valor de mercado e impacto desportivo é o técnico, o que recomenda um trabalho individualizado com o jogador que hoje em dia parece não ser uma prioridade dos treinadores (observa-se o problema técnico de Gyokeres no acto do cabeceamento e conclui-se que esse trabalho não é feito de todo), de forma a que essencialmente possa melhorar o seu jogo de pés em espaços reduzidos. Nesta conformidade, ainda que sejam mais do que evidentes as suas virtudes - potência e remate enquadrado -, o mais natural é que Harder não consiga catapultar-se para um patamar superior, o que justificará a sua venda. Mas será uma pena vê-lo partir porque estamos na presença de um projecto de jogador muito interessante, "trapalhice" à parte, vítima provavelmente daquilo que se entende actualmente ser prioritário na gestão de uma equipa de futebol e seus jogadores. Curiosamente, num tempo de equipas técnicas alargadas e multi-disciplinares.

25
Ago25

A Aliança


Pedro Azevedo

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Não deixa de ser curioso que por muita evolução a múltiplos níveis que tenha havido até chegarmos àquilo que se designa sofisticadamente como "futebol moderno", a disposição táctica das equipas se assemelhe cada vez mais à forma antiga e convencional de se fazer a guerra. Nesse sentido, hoje, o espaço entrelinhas é como uma trincheira, que importa conquistar para servir de posto avançado para o último ataque às linhas de defesa do inimigo, que no futebol é revestido só semanticamente (o que é infeliz) de adversário. No Sporting, esse espaço entrelinhas é coabitado por Pote e Trincão. A união que se estabelece entre estes dois não  é tanto feita de afinidades como de desagrados. Não, eles são complementares na sua acção e aquilo que os aproxima é a desconsideração pelas mesmas coisas: o óbvio, a rotina e o tédio. Um pouco como a Aliança entre Portugal e a Inglaterra, cuja génese obedeceu ao princípio de "inimigo do meu inimigo, meu amigo é", mas sem um Tratado de Windsor para a regular. No resto, um é pé direito e o outro é pé esquerdo, um vê melhor ao longe, o outro ao perto, um remata como quem passa, o outro finta para passar. Estilos diferentes, mas ambos desequilibradores. Porém, é na solidariedade e sentido colectivo que ambos demonstram que se equilibra o futebol do Sporting. Sempre em movimento, Pote e Trincão são a velha aliança, que em conjunto com Hjulmand, sustenta a equipa. Sim, porque mesmo uma Aliança não prescinde de um estratega, venha ele de Castelo Branco (Nuno Álvares Pereira) ou da Dinamarca. 

23
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um Pote de 3 na Taberna do RB


Pedro Azevedo

Entre os estados de alma mais comuns num português destaca-se a melancolia. Nesse sentido, nada lhe suscita tanto esse sentimento como uma visita a Sintra. Ou à Choupana, caso o indivíduo em questão seja um jogador de futebol da Primeira Liga (o Sintrense ou o 1º de Dezembro jogam em divisões inferiores). As brumas da memória são suscitadas pelo denso nevoeiro que habitualmente aí se faz sentir e logo por encantamento se ergue um súbito e sebastiânico desejo de regresso às origens. Se em Sintra esse vazio presente é também um sinal de fome e será compensado com a ingestão de um Travesseiro da Piriquita, na Choupana, o regresso às origens é muitas vezes sinónimo de viagem de volta até à Portela (ou outro aeroporto do país), sem que um jogo se possa disputar, havendo uma solução alternativa, envolvendo também um travesseiro, mas de um quarto de hotel no Funchal, caso haja a suspeita de que o manto de neblina se possa dissipar com brevidade. Na Choupana, tentar concertar a hora do jogo com um dia de céu aberto é como jogar à roleta russa com um revólver com um tambor para 6 balas em que 5 estão na câmara. É por isso probabilisticamente mais fácil um banheiro (nadador-salvador) na Antártida ter trabalho do que um jogo começar à hora marcada no estádio do Nacional. Por isso, vai-se à Choupana com a mesma convicção que se visita o Monte Olimpo, quase seguros de que não haverá ninguém para nos abrir a porta, que certamente estará reservada só para os deuses. O exotismo de uma realidade assim no nosso campeonato é uma singularidade lusa. Acresce ao misticismo associado a Rio Maior, onde Casa Pia e agora também o Tondela jogam (atendendo à especificidade do local escolhido, os jogos devem dar uma grande moca), àquele pântano jamorense que no inverno serve de base a um campo de golfe de bem mais do que 18 buracos que já foi domicílio da B SAD e ao AVS ou AFS que um ciclone em Vila Franca fez levantar vôo até aterrar na Vila das Aves. Como prémio por toda essa criatividade, Proença chegou a presidente da Federação, em trânsito para a UEFA, onde será de esperar que fique responsável pela organização da final da Champions no rochedo de Gibraltar, com a ilha da Armona como segunda hipótese. 

 

Por sortilégio, houve jogo. Talvez pelo inesperado da situação, entrámos mal e cedo sofremos um golo numa desatenção de Morita, na sequência de um pontapé de canto. Após o golo, o Nacional recuou ainda mais as linhas e procurou fechar todos os espaços. Mas o Sporting tem jogadores capazes de desequilibrar e logo Pote fez a bola estrelar na barra. Mangas deu duas assistências para Trincão e Hjulmand, mas a bola não entrou. Perto do fim da primeira parte, o Nacional viu-se reduzido a 10 unidades. No Sporting, Pote ficou coxo e estabeleceu assim um interessante dueto homófono com Kocho, que entretanto substituiu o lesionado Morita. Após o intervalo, Trincão recuperou uma bola no seu meio campo, tocou para Geny, este para Fresneda, Suarez deu de calcanhar e Pote venceu a malapata e empatou a partida. Pouco depois, novo golo, mas o recém-entrado Vagiannidis estava em fora de jogo depois de Suarez ter executado um passo típico do bailado clássico sob a forma de um "pas-de-deux" em que o par (a bola) ficou para segundas núpcias. O locutor dizia que Pote coxeava, e a coxear tirou dois do caminho e fez gala daquele tipo de passe social que dá direito ao uso das redes nacionais. O passe, entrelinhas, foi de Inácio. Harder viajou de avião até à Madeira, mas foi de carrinho que fez o terceiro. Na assistência em viagem esteve o Pote, sempre ele. Para quem diz que o futebol do Sporting é um tiqui-tasca (ou Taberna Mecânica), hoje não se serviram penáltis. Em compensação, houve copo de 3, ou melhor, um Pote de 3, na medida em que o Pedro Gonçalves ainda viria a assinar o quarto golo do Sporting, coroando assim uma exibição soberba, pelo que a lamentar apenas o Quenda se ter deixado levar pela nostalgia, o que teve como consequência a sua mente ter andado ausente do relvado, facto para o qual tambem não contribuiu positivamente "O Mistério da Estrada de Sintra" de ter reaparecido como lateral esquerdo ("Oh m'Eça!!!").

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

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21
Ago25

Inquérito ao Leitor


Pedro Azevedo

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Portugal é um país onde se vê muito pelo retrovisor, sendo essa uma das razões que justifica tantos acidentes, tanto "estampanço". Olha-se para o passado, longínquo, como reforço da auto-estima, porque é nele que se encontram verdadeiros exemplos de afirmação de um povo. Também porque o presente não é bom e o futuro é como a saúde, ou seja, mais dia menos dia não augura nada de bom. Há, contudo, quem seja optimista. Dou um exemplo: quem escute, olhe ou leia a imprensa desportiva nacional durante o defeso fica sempre com a ideia de que o Benfica será campeão e de que o Porto lutará até ao fim com o clube da Luz pelo título nacional. Todavia, há uma "aldeia" de irredutíveis Sportinguistas que não se resigna e acredita, ainda que entre os adeptos de outros clubes e na tal imprensa atraiamos um público equivalente ao de um banheiro do Instituto de Socorros a Náufragos de plantão na Antártida. Curiosamente, neste caso específico, o passado recente suporta esse nosso optimismo, mas a imprensa, sempre tão agnóstica em relação ao presente e ao futuro, aqui abre uma excepção: pouco interessa o Sporting ser Bi-campeão, o Benfica com as pazadas de jogadores novos que chegam todos os anos é o favorito número 1. Como neste tipo de coisas sou um pouco como São Tomé, isto é, gosto de ver para crer, abro aqui espaço para os Leitores/Comentadores no sentido de se pronunciarem sobre quem serão, em Vossa opinião, por ordem decrescente, os quatro primeiros classificados do campeonato de 2025/26, pedindo ainda para eiencarem uma qualidade (ponto forte) e um defeito (ponto fraco) de cada um desses competidores. O meu agradecimento prévio a todos. . 

18
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Inferno de Dante


Pedro Azevedo

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O inferno de Dante começou quando apanhou Geny pela frente. Entre reviengas para dentro, engodos por fora, túneis escavados por entre as pernas e "cabritos", o pobre do Dante reviveu a visão do inferno de Alighieri, formado por nove círculos (tantos quantas as voltas que deu sobre si próprio), três vales (em termos de maus momentos, depois de Geny, ainda teve de levar com Quenda e Vagiannidis), dez fossos (nem as obras no estádio esconderam a sua depressão profunda) e quatro esferas (aproveitando uma promoção especial, num pequeno desvio ao enredo original, as esferas foram na verdade 6, o equivalente em bolas redondinhas de golo). E se o Sporting ameaçou pela direita, acabou por ser pela esquerda que ficou em vantagem, através de Mangas. Depois. um jogador do Arouca, com os pitões em riste, usou as costas do Inácio como a ranhura de um TPA por onde se introduz o cartão de multibanco e, como débito, além de expulso, deu um penalty ao Sporting que Suarez logo converteu. Não tardaria muito até que Trincão, recebendo um passe de Inácio, marcasse o terceiro. Veio o intervalo, naquele jeito de muda aos 3 e acaba aos 6, e no recomeço o Vagiannidis apareceu no lugar do Fresneda. Os ganhos foram automáticos, no corte de cabelo e na qualidade do cruzamento. Então, mal tocou na bola, o grego aproveitou o facto do Dante estar a pôr 3 leões em jogo e proporcionou a Mangas o quarto da noite em formato de assistência, termo que no dicionário do Fresneda vem descrito como algo equivalente aos 12 Trabalhos de Hércules (Héracles), que por acaso também era grego (isto anda tudo ligado...).. 
Depois, o Quenda pegou na bola pelo meio e serviu no espaço o Suarez. Aquilo que se lhe seguiu poderia ser melhor explicado por praticantes de caça, tal o poder de coice da Browning que o Suarez tem escondida no seu pé esquerdo. O Suarez (é fixe!!!) tem uma espingarda no seu pé esquerdo e o Hjulmand uma máquina de flippers nos seus dois pés, sempre pronta a fazer "tilt" (que jogador!!!). O Harder entrou, e quando o dinamarquês pisa pela primeira vez o relvado a sensação é semelhante à de um touro a entrar numa arena. A vontade é muita, a falta de discernimento também. Por isso, não só perdeu um golo cantado como também não viu o Kocho desmarcado (pelo menos o Kocho não caiu, como naquela anedota com o fanhoso). Bom, mas eu havia-vos dito que isto mudava aos 3 e acabava aos 6, pelo que devem estar à espera do último golo. E ele existiu, às 3 tabelas, cortesia do Trincão , porque se com o Suarez é à lei da bala (já com a cabeça identifica-se muito com o Gyokeres) e com o Hjulmand há flippers, então o Trincão tem todo o direito a usar o taco de bilhar. 

Tenor "Tudo ao molho...": Ricardo Mangas. Hesitei entre ele, o Trincão e o Suarez, mas escolhi o olhanense porque, na comparação com os outros 2, cada golo seu é o equivalente ao preço de um café num jantar de marisco no Gambrinus. 

P.S. Suarez é fixe!!! Assinado: MASG (Movimento de Apoio Suarez a Goleador).

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