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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

28
Jul25

É Chat(o) (GPT)!!!


Pedro Azevedo

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Vale o que vale, mas, para o ChatGPT, o Luís Suarez vai, esta época, marcar mais golos de campeonato que o Viktor Gyokeres. É verdade(?), consultada a Inteligência Artificial, esta estabeleceu uma estimativa de 10-15 golos na Primeira Liga para o colombiano e outra de 8-12 golos para o sueco na Premier League.  Ainda assim, Suarez ficará bem longe dos 39 golos apontados por Gyokeres em 24/25. 

28
Jul25

Mangas compridas


Pedro Azevedo

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Matheus Reis, Nuno Santos, Maxi Araújo, David Moreira e Geny (alguns jogos no tempo de Amorim). E agora Ricardo Mangas. É impressão minha ou a nossa ala esquerda está com uma manga muito comprida? Não vou tão longe quanto o que dizem os experts na SportTV, que não veem utilidade em Ricardo - ele é rápido, ideal para um sistema de 3 centrais, tem algum golo. Mas a inflação de jogadores para uma mesma posição nunca é boa. Desde logo porque é contraproducente até na organização do treino. Depois, na medida em que vem aumentar desnecessariamente os custos com pessoal. Finalmente, porque cria problemas de gestão de expectativas e de motivação no balneário. Quando Nuno Santos estiver plenamente recuperado e Matheus Reis regressar do castigo, o que acontecerá? Nuno Santos é um jogador "ranhoso", de antes quebrar do que torcer, um jogador de equipa, daqueles pilares com que se ganham títulos, mas com dificuldade em aceitar o banco. E Matheus Reis, ao contrário do que acontecia nos tempos finais de Amorim, em que "só" contava como central pela esquerda, é para Rui Borges um lateral/ala de que não prescinde em 4-2-3-1 ou 3-4-3. Suspeito, todavia, que esta contratação sugere que irá sair alguém. E espero, sinceramente, que esse alguém não seja Maxi Araújo, porque estou convencido de que seria um grande erro e não só pelos valores envolvidos (30 M€, diz-se). É que do uruguaio ainda só vimos um "cheirinho" e ainda assim o odor que deixou foi muito agradável. Pela envolvência que cria em espaços interiores e exteriores, ambivalência que é uma enorme mais-valia para a variabilidade do nosso jogo. Por outro lado, se Rui Borges visse Matheus Reis como um central pela esquerda, isso daria uma nova riqueza ao nosso jogo. Porque não só garantiria algum descanso a Inácio como também complementaria a forma de jogar: Inácio destaca-se pelo passe entrelinhas, o brasileiro transporta a bola e fixa jogadores ao centro, libertando a ala. E Nuno Santos é para mim essencial no balneário, além de ser equilibrado a defender e atacar, destacando-se ofensivamente pela qualidade do cruzamento. Pelo que não é má vontade para com o Mangas, que não acho mau, mas se esta contratação implica a saída de alguém então creio que serão maiores os problemas do que a solução. Aliás, esta sobreposição de laterais/alas (à esquerda e direita)  tem muito a ver com a indefinição que se sente no sistema táctico e que pode vir ainda a criar excedentários no eixo central da defesa, caso o 4-2-3-1 venha a ser preponderante. Assim. é difícil agradar a tantos jogadores, dar uma oportinidade a um jovem perante uma contingência e manter custos com pessoal dentro de valores prudentes. Além de que pode ser encarada com desconfiança no balneário a aparente obsessão de Rui Borges por jogadores que treinou no Vitória (Alberto foi tentado em duas janelas de mercado e já se falou em Tiago Silva e Jota). Como se disso dependesse o seu respaldo no balneário, algo que Amorim, no United, não mostra sinais de vir a precisar (qualquer treinador no mundo quereria Gyokeres). 

28
Jul25

Golfinho português à beira do pódio


Pedro Azevedo

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Diogo Ribeiro teve um dos melhores tempos de reacção na partida para a final dos 50m Mariposa. Mas a imersão e o nado sub-aquático não correram tão bem e quando voltou à tona de água era um dos últimos. Uma boa recuperação final valeu-lhe um novo recorde nacional (22,77s), mas não foi suficiente para chegar às medalhas no Mundial de Natação que decorre em Singapura. Ainda assim, o seu quarto lugar deve ser qualitativamente ponderado como mais importante do que o título mundial obtido na mesma prova do Mundial do ano passado, quando os melhores nadadores estiveram ausentes ou guardaram o pico de forma para os subsequentes Jogos Olímpicos. 

25
Jul25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Onze Rabecas (ou talvez não)


Pedro Azevedo

O William Blake dizia que há o conhecido, o desconhecido e no meio estão as portas da percepção. Mas a percepção é só isso: uma percepção. Pode não ser real, aliás no mundo em que vivemos é cada vez menos real, tal o nível de intoxicação a que somos todos sujeitos por políticos, media e spin-doctors de comunicação. Olhando as parangonas dos jornais, Porto e Benfica discutirão o título e o Sporting terá de lutar com o Braga para atingir o terceiro lugar no campeonato, o pináculo do para nós tangível esta época. Nesse transe, o Troféu 5 Violinos dever-se-ia talvez denominar de "11 Rabecas", o que ratifica a escolha do "Submarino Amarelo" (Villareal) como companhia mais do que adequada para condizer com as previsões de que só esporadicamente andaremos à tona de água. Na verdade, há aqui uma reincidência: as pré-épocas vêm sempre acompanhadas do anúncio da boa-nova do Benfica campeão, com os Três Reis Magos da imprensa escrita (Bola, Record e Jogo) dando-nos a entender que o que virá depois será somente um pró-forma escarlate (o Estádio da Luz já era uma casa de Red-Pass, agora o Benfica almeja que seja o Red Light District por inteiro) . Mas o ano passado foi necessário animar as hostes portistas, agora com um novo presidente e processos mais "católicos" (ainda que já sem a bula ou gula papal), pelo que o andor foi partilhado entre Benfica e Porto. Nesse sentido, as contratações no Dragão motivaram muitas loas. Por exemplo, quem tivesse aterrado em Portugal nessa altura ficaria convencido de que o Otávio Ataíde era a reencarnação do Franz Beckenbauer ocorrida por milagre num bairro de São Paulo. E o Nehuen Perez tinha uma qualidade de saída de bola que nem o Franco Baresi. O Samu também ia arrasar e logo houve quem se atrevesse a considerá-lo mais completo do que o Gyokeres. Parece mentira, mas não é. E torna-se talvez importante recuperar isto para contextualizar o momento em que vivemos, até porque as cassandras desse endeusamento desapareceram para parte incerta ou comeram o queijo suficiente para garantirem que se esqueceriam de tão infelizes profecias, voltando agora à carga sem memória ou vergonha e com renovada imprudência. 

Foi assim, com expectativas baixas, que o Sporting se apresentou hoje à noite no Estádio Nacional, que o José Alvalade está em obras de fecho do fosso porque leão que se preze ruge livremente e sem agrilhões mais próprios de um zoo. Cedo marcou, por Hjulmand, de penalty, e no primeiro tempo até se desenharam bonitas jogadas no terreno. Com um 3-4-3 ofensivo, com os alas bem projectados, Fresneda como central pela direita (recuperando uma ideia de Amorim), Diomande de regresso no centro e Inácio a central pela esquerda, o Sporting superiorizou-se aos espanhóis durante a maior parte do tempo, com Geny em especial evidência na criação de desequilíbrios. 

O reatamento trouxe de volta o 4-2-3-1 que Rui Borges parece querer implementar. Fresneda derivou para a lateral, Debast entrou para fazer parelha com Inácio, Matheus manteve-se à esquerda. Mas a alteração do sistema táctico não surtiu efeito e o Sporting perdeu o controlo do jogo. O espaço outrora encontrado com facilidade na direita desapareceu, o nosso jogo tornou-se lento e previsível, com uma única solução: mandar a bola para a frente a ver se Harder lhe dava continuidade. Não deu. Com alguma sorte à mistura, o jogo arrastou-se sem que o Villareal conseguisse o empate. O Troféu ficou em casa. 

A pré-época é isto mesmo, um período de experiências. Campeão de pré-época em Portugal só o Benfica (e o Porto, na época passada e nesta), um "título" que ainda (para já) não garante a presença na Champions. Somos o campeão, aliás bicampeão, mas entramos na nova época como o "underdog". É um sentimento estranho. Ninguém acredita em nós, nem mesmo muitos Sportinguistas. "Ah! Perdemos o Gyokeres" - dizem muitos, esquecendo-se que já fomos campeões nesta década sem ele. Eu olho para isto tudo e noto o seguinte: mantivemos a estrutura base da equipa enquanto os outros não deixaram pedra sobre pedra. E temos uma equipa madura, enquanto o Porto, por exemplo, investiu em três ou quatro jovens sub-21, bons jogadores mas que não é certo que não abanem quando a coisa se complicar, até por ausência de pilares de balneário, com experiência e autoridade, que outrora passavam o testemunho entre si no Dragão. Por isso acredito que a nossa luta será com o Benfica, que tem em Rios um excelente jogador e talvez aquele médio que nos faz falta para quebrarmos linhas e aproximarmos o meio campo dos avançados. Um Matheus Nunes vestido de vermelho, mais Lobo Mau do que Capuchinho. Mas nada está perdido. Como poderia algo estar perdido antes de começar? Então, que role a bola. Quem sabe se no fim o presente não será mais o que o passado reclamava para o futuro (como cantava o Oswaldo Montenegro), antes será muito melhor? 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny

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23
Jul25

A idade de Gyokeres


Pedro Azevedo

Entre todas as justificações patéticas acerca de o preço que o mercado está disposto a pagar por Gyokeres ser inferior ao que muitos esperariam dado o seu rendimento desportivo, emerge a questão da idade. Aparentemente, para estas alminhas, o sueco, aos 27 anos, é velho, já não dará retorno financeiro. Ora, qualquer grande clube europeu que queira contratar Gyokeres está essencialmente preocupado com o rendimento desportivo e não com posteriores negócios. Exemplos: Harry Kane foi contratado a época passada pelo Bayern ao Tottenham por 120 milhões de euros. Tinha 30 anos. Outro: Lewandowski saiu do Bayern para o Barcelona, na pré-época de 2022/23, por 45 milhões de euros (mais variáveis). Tinha 33 anos, actualmente (36 anos) viu renovado o seu contrato com os culés. E já nem trago à colação Ronaldo, porque Ronaldo é Ronaldo, contratado pela Juve ao Real por 100 milhões de euros, aos 33 anos de idade.

Não, o problema de Gyokeres não é a idade, até porque aos 27 anos um ponta de lança está ainda a refinar as suas qualidades. Além de que se trata de uma posição no campo altamente especializada e pela qual o mercado está habituado a pagar mais do que o teto praticado para quem ocupe outras zonas do terreno. O problema de Gyokeres, isso sim, é aquilo que ontem Mourinho deixou implícito sem necessitar de ser totalmente explícito. Tem a ver com jogos de empresários e sua influência que gera interesses conflitantes instalados na Comunicação Social e clubes. E sobre isso mais não digo, até porque me falta uma vassoura para limpar toda a abjecta porcaria que circula (parasita?) à volta do jogo. Deixo assim apenas uma pergunta: de onde provém tanta notícia claramente plantada nos jornais com o objectivo de condicionar a opinião pública? E quem faz o frete? 

22
Jul25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Ser diferente ou fazer a diferença?


Pedro Azevedo

Coco Chanel um dia afirmou que para se ser insubstituível é imperativo ser-se diferente. Mas ser diferente não é necessariamente igual a fazer a diferença, e Rui Borges percebeu isso muito bem quando meteu para já o 4-3-3 no congelador, ressuscitando o 3-4-3 no jogo de ontem à noite, contra o Sunderland, com Quaresma, Debast e Gonçalo Inácio como centrais e Quenda e Matheus Reis investidos de alas. [Chamo a atenção do Leitor que na TVI(nácio) disseram que jogámos em 4-2-3-1, mas é sabido que o (ontem comentador) Augusto Inácio tem a fama de ver jogos pirateados.]

 

Se não inovou em termos de sistema ofensivo, Rui Borges criou algo de novo em termos defensivos, alternando o 3-5-2 com o 4-4-2, o primeiro ainda pouco trabalhado e razão que justificou os espaços nas franjas dos nossos centrais de lado que o Sunderland tanto procurou durante o primeiro tempo, valendo então a serena excelência de Rui Silva para que o resultado não descambasse a nosso desfavor. Até que Debast lançou Harder nas costas dos ingleses e este assistiu Trincão para o único golo da noite. 

Com os jogadores ainda muito presos de movimentos dada a elevada carga de trabalho de pré-época, o jogo valeu essencialmente pelos aspectos tácticos. O resto foi desolador: Pote passou o jogo quase todo com um piano amarrado às costas, trocando-o no fim por uma tábua de engomar, não resistindo assim à tentação de passar um inglês a ferro; Quaresma deixou o cérebro no hotel e decerto só o recuperará depois de fazer um ó-ó retemperador. Tudo produto do cansaço extremo que nos traz à evidência que Rui Borges e a sua equipa técnica não brincam em serviço e a carga física neste estágio em Lagos tem sido intensa. Seguir-se-á o jogo dos Cinco Violinos, contra os espanhóis do Villareal, e depois o desejável desanuviar da extrema intensidade de treinos que nos permitirá chegar ao jogo da Supertaça com o corpo a obedecer à cabeça e esta a pensar melhor. 

Tenor "Tudo ao molho...": Zeno Debast

 

PS: Para esta equipa do Sporting, o 4-3-3 (em vez do 3-4-3) é como uma sopinha de gaspacho: sabe bem e é refrescante em tempos de Verão, mas o futebol é um desporto de Inverno e nesse período é aconselhável algo mais quente e aconchegante para o corpo. 

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16
Jul25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

No tubo de ensaio de Borges


Pedro Azevedo

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A rentrée futebolística pode ser encarada como um ensaio laboratorial que visa observar o que ocorre quando o resto do corpo é desligado do cérebro. Nessa experiência, os neurónios transmitem e processam informação entre células como sempre, mas é como se o corpo se encontrasse trancado numa sauna com um sistema de contra-inteligência equipado com inibidores de sinal de neurotransmissores. Como resultado, os atletas não executam o que o cérebro pensa e produz-se a hiperidrose: o suor envolvido emula a camisa encharcada de um antigo treinador do Benfica (Camacho) numa tarde de Verão.  

O Gyokeres era a nossa Segurança Social. Eu explico: os seus golos, assistências e influência geral constituíam um sustento do leão equivalente ao nosso abono de família. Mas o sueco não volta, o que pode ser um grande problema. Mandaria assim a providência que não se complicasse ainda mais a nossa tarefa, o que pode ocorrer quando em cima da ausência de Gyokeres se quer mudar um sistema táctico perfeitamente adequado às características dos actuais jogadores do plantel, como o comprova o bicampeonato. Mas, enfim, a pré-época serve exactamente para experiências e não vem mal nenhum ao mundo por isso, excepto se a experiência passar futuramente a ser o padrão e se perderem as referências antes perfeitamente entranhadas, que uma coisa é o Mister Borges, outra o Professor Pardal. Até porque já não há Gyokeres para disfarçar erros conceptuais.

O jogo com o Celtic deu algumas pistas: o melhor de Quaresma não se realça em qualquer sistema onde só haja 2 centrais, St Juste comete erros cruciais que são mais sublimados se o sistema não for o 3-4-3, Fresneda tem lacunas como lateral de um grande, Trincão perde quando amarrado a uma ala, Rodrigo Ribeiro mostrou pouco faro de golo (ex: cruzamento/remate de João Simões). Pela positiva, Hjulmand foi o patrão do costume, Pedro Gonçalves regressou com a magia de Harry Pote ("Art-Deco"), Simões consolida-se como uma boa opção e Kochorashvili revelou dinâmica, dotes de liderança e qualidade de passe.  

Este foi o meu Faro deste jogo disputado no Estádio do Algarve. De Rui Borges não espero menos do que ter Olhão!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand

12
Jul25

Todos na roda e fé em João Almeida

Levantado do chão


Pedro Azevedo

IMG_5476.jpegCaro Leitor, o João caiu e nessa queda deitou por terra as expectativas de toda uma nação, que há quedas que são colectivas e esta foi tanto dele como nossa. Sentimos assim as suas dores, até porque todos nós temos uma costela de João Almeida. Mas o João prontamente levantou-se, parábola que nos cumpre mimétizar, ou não fossemos nós, portugueses, um povo habituado a recomeços. O presente não é assim aquilo que o passado augurava para o futuro, não haverá pódio em Paris nem escaparates na imprensa escrita. A vida por vezes é cruel e cria-nos desafios inesperados como este de fazer um Homem tocar no sol somente para depois se despencar como Ícaro (a Red Bull é que te dá asas e ele está na UAE). Voltará, e nós também, até porque a sua vida (literalmente), e nossa (metaforicamente), é andar às voltas, qual hamster numa roda. Até que esta rebente ou fure. 

10
Jul25

Bandemónio Vermelho


Pedro Azevedo

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Antes eram os Diabos Vermelhos, agora, Rui Costa, no seu anúncio de candidatura à presidência do Benfica, referiu que é preciso "fazer o que ainda não foi feito", recuperando assim o tema (e lema) de uma velha canção de Pedro Abrunhosa e dos Bandemónio. Pelo andar da carruagem, temo que com o ardor típico das campanhas eleitorais se siga o "não posso mais viver assim, olhar para ti sem te ter perto de mim" (dedicado ao João Félix), até que alguém se lembre do "talvez...". 

09
Jul25

Todos na roda e fé em João Almeida

Pogacar no topo e o João a subir


Pedro Azevedo

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Auguste Comte, fundador da corrente (tem tudo a ver com bicicletas) do Positivismo, disse um dia que tudo na vida é relativo, sendo esse o único valor absoluto. Percebo a ideia: um colaborador de uma empresa fica satisfeito com o bónus que recebeu no final do ano, mas após tomar conhecimento de que um colega auferiu um prémio maior logo o sentimento muda radicalmente. Mas há excepções: por exemplo, os princípios e valores comportamentais são absolutos. Adicionalmente, os mercados financeiros ensinam-nos que o relativo pode ser uma serpente envenenada se não cuidarmos de saber o valor absoluto dos activos. E depois surge o ciclismo enquanto parábola desportiva do equilíbrio entre o relativo e o absoluto. Quer dizer, na maioria das vezes os ciclistas estão a pedalar uns contra os outros, mas depois chega aquele dia em que pedalam sozinhos contra o asfalto e o tempo e têm de impor um ritmo de acordo com as suas capacidades e não em função de outrem. A essa prova, dita da Verdade (existe algo de metafísico, no sentido do conhecimento do ser e da sua essência e capacidade de sacrifício, no conceito de pôr o Homem em cima de uma bicicleta durante horas, dia sim, dia sim, subindo e descendo montanhas), chama-se contra-relógio.  Hoje foi dia de contra-relógio no Tour de France. 

À partida, o grande favorito era Remco Evenepoel, com capacete de Hermes e bicicleta dourados e camisola arco-íris, símbolos de campeão olímpico e mundial na especialidade. Depois surgiam Pogacar e Vingegaard, os outros grandes candidatos à camisola amarela em Paris. E, de seguida, os especialistas e os "wanna be" à geral, estes últimos representados à cabeça pelo nosso João Almeida. No fim, não houve grandes surpresas: Evenepoel ganhou, Pogacar foi segundo e Almeida não esteve bem nem mal, esteve ao seu nível (oitavo no c/r e quarto entre os pretendentes à geral). Surpresas, pela positiva, foram Vauquelin (quinto) e Lipowitz (sexto), e pela negativa o Vingegaard (apenas décimo terceiro). O perfil plano não ajudou os ciclistas mais leves, ainda por cima estando o vento pela frente, o que justifica em parte a má prestação do dinamarquês. Na geral, Pogacar é agora o camisola amarela e Evenepoel é o segundo. A sensação Vauquelin completa o pódio, à frente dos Vismas Vingegaard e Jorgenson, e o João subiu para sétimo, uma posição abaixo do que eu aqui prognosticara, à frente do candidato Roglic e dos competentes Lipowitz, Skjelmose, Onley e Mas, candidatos ao Top 10 final. Seguem-se mais umas etapas estilo Clássica, um novo c/r (décima terceira etapa) com um perfil diferente (escalada) e depois o pináculo da coisa, Alpes e Pirinéus, a prova dos 9 que tudo clarificará.

 

Vai bom o Tour, emocionante. E o João continua lá, entre os melhores, sempre vindo de menos a mais (no c/r foi vigésimo no primeiro ponto intermédio, décimo quinto no segundo, décimo segundo no terceiro e oitavo no fim), que no final, em Paris, pode significar um pódio. Aguardemos...

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