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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

28
Abr25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Pirolitos em dia de praia


Pedro Azevedo

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Caro Leitor, o Benfica jogou antes de nós na esperança de vingar aquele campeonato que ficou conhecido como o do Pirolito, corria o ano de 1948. Para vos avivar a memória, recordo-vos que o Benfica ia à frente desse campeonato, já tinha vencido o Sporting fora de casa por 3-0 e recebeu o seu rival para pôr um carimbo definitivo no título. Para agravar o cenário do Sporting, o Peyroteo ficou doente, teve febre durante a noite anterior e esteve em dúvida até à hora do jogo. Pois bem, o nosso máximo goleador recuperou a tempo e marcou um póquer, ajudando o Sporting a vencer por 4-1. Com esse resultado, Sporting e Benfica ficaram empatados em pontos e nos resultados dos jogos entre si, acabando o Sporting por se sagrar campeão por ter um golo de diferença face ao Benfica na contabilidade dos jogos totais. Como esse singelo golo a mais representava uma bolinha só de diferença e havia um berlinde redondinho que se podia achar numa garrafa de gasosa desse tempo com o nome de Pirolito, para a história ficou o Campeonato do Pirolito. Mas, dizia eu, ainda que remota a possibilidade dos dois clubes terminarem esta época empatados simultaneamente em pontos e nos jogos entre si, o Benfica não quis desprezar essa probabilidade que pode advir de perder com o Estoril ou o Braga (e ganhar por 1 golo ao Sporting) e espetou meia-dúzia de golos ao AVS, AFS ou talvez mesmo ABS, que foi preciso meter o anti-bloqueio para evitar mais derrapagem quando a caixa já ia em sexta velocidade. Sabendo isso, o Sporting apresentava-se no Bessa com o imperativo de vencer. Porque ganhar os jogos que faltam até à deslocação à Luz dará ao Sporting a possibilidade de uma dupla no "Vamos jogar no Totobola" do derby, com a chance até de uma tripla (desde que não perca por mais de 1 golo) caso o Benfica perca já no Estoril e o Sporting ganhe ao Gil. Em sentido oposto, mesmo que não perca no Estoril, o Benfica precisará de ganhar ao Sporting caso queira chegar à entrada da última jornada na liderança. 

O Sporting entrou em campo com tudo e logo o Trincão teve uma soberana oportunidade de golo após uma assistência soberba de Pote. Não tardou porém o primeiro golo leonino: após mais uma iniciativa de Pote, Maxi ganhou brilhantemente a bola na área e endereçou-a primorosamente para o primeiro poste onde Gyokeres apareceu a facturar. Seguiu-se um período de intenso e avassalador domínio leonino, mas Gyokeres, em três ocasiões, uma delas de bicicleta (se fosse esloveno, como o Pogacar e o Roglic, tinha sido de caras), e Pote e Trincão  não conseguiram fazer o que parecia mais fácil. Até que à beira do intervalo lá apareceu o nosso Vik "Thor" a bramir o martelo mágico com que cria um vendaval que torna impossível aos nossos adversários abrigarem-se... e estava feito a 2-0. 

Após o intervalo, o Boavista procurou reagir, mas o Gyokeres recebeu um passe do Trincão, fugiu pela meia direita e praticamente sem ângulo arranjou forma de fazer a bola passar pelo buraco da agulha, no caso, entre as pernas do guarda-redes boavisteiro. Seguiu-se uma bola de sonho enviada de primeira por Morita a isolar Gyokeres. O nosso deus sueco desta vez não conseguiu desfeitear o guarda-redes, mas o ressalto foi na direcção de Maxi e este não perdoou. A partir daí o interesse do jogo residiu nas mil e uma tentativas de Diomande de ver um cartão amarelo (o quinto na competição) que o pusesse a salvo de falhar o derby, mas o árbitro não estava para aí virado e o costa-marfínense lá foi desesperando até que o árbitro não pudesse mais ignorar a rábula e tivesse que o admoestar, momento que foi celebrado no estádio como se de um golo se tratasse. Após mais este elucidativo apontamento de cultura desportiva portuguesa, poucos motivos haveria para prolongar o jogo, mas com o Gyokeres em campo há sempre objectivos a cumprir e lá veio mais um golo da sua lavra, o seu póquer no jogo mas também o seu quinquagésimo segundo da época, marca que lhe permitiu superar Yazalde (50 golos em 73/74) e aproximar-se de Jardel (55 golos, em 2001/02) e de Peyroteo (58 golos, em 40/41), além de passar para o primeiro lugar da Bota de Ouro que premeia o melhor goleador em campeonatos europeus nesta temporada (38 golos vezes um coeficiente de 1,5= 57 pontos). 

Moral da história: o Sporting respondeu aos 6-0 do Benfica com um 5-0 no Bessa e lidera o campeonato do pirolito com 3 golos de diferença, embora o objectivo no final seja o champanhe e não a gasosa. Até porque já não há pirolitos, não se sabe se por artes da ASAE (como o brinde e a fava no bolo-rei), e para brindar decentemente não pode faltar uma bebida alcoólica. Com Seven-Up já se sabe que só em Vigo (quando o Benfica é convidado para a festa galega).

 

Tenor "Tido ao molho...": Vik "Thor" Gyokeres. Quaresma foi o melhor dos nossos centrais, ,Debast encheu o campo, Maxi e Trincão estiveram muito bem, apesar do ex-Barcelona continuar a pecar na hora do remate à baliza.

23
Abr25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

A Teoria Gyocêntrica


Pedro Azevedo

Ontem, a equipa de futebol do Sporting deslocou-se ao Parque Eólico dos Arcos, sito em Vila do Conde, para completar mais uma eliminatória da Taça de Portugal, esta afluente ao Jamor. A margem de erro era grande, mas havia ainda alguma expectativa quanto a saber como uma equipa a meio gás poderia lidar com outra ansiosa de utilizar uma energia alternativa. Porém, as dúvidas ficaram desfeitas mal o Gyokeres desatou a correr como se Vila do Conde fosse Munique e o cenário a final da Champions. O sueco ia moendo o juízo aos vilacondenses, mas estes apostaram que o resultado não seria trigo limpo farinha Amparo e começaram a bater-lhe sem piedade perante a passividade de um árbitro a precisar de um patrocínio urgente da Multiopticas. Até que houve um canto a nosso favor. Como o Debast não tem na sua natureza envolver-se em confusões na área, uma coisa estranha num central e que talvez explique a razão porque se adaptou razoavelmente bem a médio, logo avançou na direcção da bandeirola para bater a "bola parada". Com a sua reconhecida capacidade de passe, a bola foi direita a Gyokeres para este a pentear na direcção de Inácio que se limitou a desviá-la de Miszta, marcando assim o primeiro golo. Entretanto, o Pote lá ia pedindo ao corpo que transportasse a sua cabeça, mas as pernas nem sempre obedeciam aos impulsos das sinapses do seu cérebro. Ainda assim, a ligação com Gyokeres esteve sempre presente, assim como a intencionalidade de todas as acções do homem nascido em Vidago. 

Se a eliminatória estava mais do que bem encaminhada, a auto-estrada para o Jamor ficou definitivamente aberta quando Gyokeres cheirou o sangue e apareceu no sítio certo para ampliar a vantagem, o seu quadragésimo oitavo golo da época. Seguiu-se um plano de poupança de energia que foi garantindo serviços mínimos. Até que se produziu um apagão e durante 15 minutos o Rio Ave mais pareceu um River Bird em destaque na Premier League. Foi assim quando Olinho bailou entre 3 jogadores nossos e enviou um míssil que ricocheteou entre barra e linha de golo por duas vezes. E assim continuou quando, ia a noite já alta, o St Juste teve um ataque de sono e o Clayton aproveitou para oferecer o golo ao seu compatriota André Luiz. Entretanto, muito contrariado, o Gyokeres lá foi descansar, o que mostrou uma vez mais o Rui Borges como aquele pai que pela insistência por fim consegue que o filho vá dormir, que amanhã há escola e ele tem de estar fresco. Sem Gyokeres, e apesar da vontade de Harder de mostrar alguma coisa, o resto do tempo foi aproveitado pela equipa do Sporting para procrastinar. É que no Domingo há Bessa e convém ter os (cam)peões preparados para avançarem no xadrez boavisteiro. A caminho do xeque-mate final, na Luz. Desde que haja Gyokeres a um nível normal, o astro que tem todo o mundo leonino a rodar à sua volta. 

Tenor "Tudo ao molho...": Vik "Thor" (não foi certamente o seu melhor jogo, mas marcou 1 golo e deu uma assistência).

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21
Abr25

A Clubite


Pedro Azevedo

Entre as moléstias estomacais dos adeptos da bola em Portugal, nenhuma é tão infecciosa, invasiva e transbordante como a azia provocada pela clubite. A clubite consiste numa inflamação nervosa altamente contagiante que tem o epicentro no estômago e rapidamente se propaga para a boca e dedos. Tanto se pode apanhar num estádio de futebol,  como no sofá e transmite-se oralmente ou por via de um teclado com acesso às redes sociais. Pior, não tem cura, ou a sua cura implicaria transladar todos os infectados para uma qualquer clínica de reabilitação de cultura desportiva sita em Inglaterra, um devaneio insular para tratar o que mais parece uma insolação que afecta a moleirinha dos contaminados. O custo seria incomportável para todos os outros contribuintes que desconhecem que a bola é redonda.

 

Não se nasce em Portugal com clubite, mas o meio ambiente e o contexto cedo (na adolescência) criam o caldo cultural para que ela se entranhe no indivíduo e nunca mais o abandone. Ao contrário das borbulhas, não há Clearasil que lhe acuda. O alvo principal da clubite é o árbitro, o que explica a razão porque durante muito tempo este só se vestiu de preto, como se assim fizesse o luto. Na mira estão também os dirigentes dos clubes adversários e às vezes até do próprio clube, especialmente quando a bola, que era suposto entrar, insiste em embater no poste. 

 

O adepto infectado com clubite odeia pelo menos tanto o(s) clube(s) concorrente(s) quanto ama o seu clube. É como se o amor ao clube do seu coração não lhe desse energia eléctrica suficiente para manter acesa a chama da paixão e precisasse do combustível fóssil do ódio para se sentir umas octanazinhas mais aconchegadito, um "yin" e um "yang" que celularmente estão simultaneamente presentes no diagnóstico da clubite. 

 

Ninguém vai à bola em Portugal por gostar de futebol, o que é como quem diz, ninguém em Portugal "vai à bola" com o futebol. Para isso escolhem-se países "bárbaros" como a Inglaterra, que fazem uma festa para nós inexplicável à volta do jogo. Não, em Portugal gosta-se do clube, ponto. Aliás, 3 pontos, jornada a jornada, porque a clubite alimenta-se das vitórias. E das derrotas, dos nossos adversários (esse também é um ponto, ainda que paradoxalmente signifique zero pontos). E de sofrer. O jogo em si pouco importa, os jogadores idém, o importante é o penalty que não foi e o que foi e o malandro do árbitro não marcou. É o ruído que alimenta a paixão, não é a paixão pelo jogo que sustenta o amor ao clube. Assim, uma época de futebol não é uma temporada feliz, antes sim tormentosa. O masoquismo subordinado a uma forma redonda. Felicidade só mesmo no fim, no Marquês ou Aliados, se o nosso clube ganhar o campeonato. Aí, sim, vem a comunhão e sentimo-nos parte de algo muito superior à nossa própria existência. Celebramos com os nossos e por um dia suspendemos a clubite. No dia seguinte, no escritório ou no barbeiro, voltamos à primeira forma, que a hora é de achincalhar o adversário perdedor. Porque a vingança é um prato que se serve frio, e neste nosso futebol não há honra para os vencidos. Por isso, a história do jogo em Portugal é (re)escrita pelos vencedores e só ganhar importa. Além não há nada, muito menos futebol. 

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19
Abr25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O (In)sustentável Peso de Gyokeres


Pedro Azevedo

O peso corporal de cada indivíduo varia consoante a sua altura, género e etnia, mas o peso da alma de um ser humano foi calculado por Duncan MacDougall em 21 gramas. Se, quantitativamente, as almas pesam todas o mesmo, qualitativamente expressam-se de forma diferente. Por exemplo, cada grama de alma até almeida (desconheço o equivalente em sueco) de Gyokeres confere um rendimento desportivo cuja ponta do icebergue traduz-se em 4,29 golos do Sporting. É muito golo, algo com que os nossos adversários não se conformam. Para eles seria melhor termos um ponta de lança que fosse uma alma penada. Em vez disso, saiu-lhes um com uma alma pesada (de golos). O peso de Gyokeres na equipa e no campeonato português é impressionante. Ontem marcou 3 golos e deu outros a marcar a Geny e Trincão para estes os desperdiçarem ingloriamente. A diferença entre ele e os colegas do trio atacante é abissal, o que leva a pensar que com um melhor entorno ele poderia terminar uma temporada em Portugal com perto de 100 golos. Mas se o peso de Gyokeres na produção atacante e classificação do Sporting é grande, o que dizer sobre o seu impacto no futebol português? Basta observar a tabela dos melhores marcadores do campeonato. E o que se vê? Que Gyokeres tem mais do dobro dos golos marcados pelo segundo classificado (Samu) e um número superior à soma dos golos obtidos por Samu e Pavlidis, os pontas de lança titulares de, respectivamente, Porto e Benfica. É justo por isso dizer que Gyokeres tem mais peso do que os pontas de lança de Porto e Benfica juntos.  E isto só em função dos golos, porque se considerarmos também a participação no jogo ofensivo de cada equipa essa diferença ainda é maior. Não admira assim que para os nossos adversários esse peso seja insustentável. Por isso falam em penaltis assinalados a nosso  favor e um dia destes começarão também a perorar sobre o número anormal de livres directos e, quiçá até, de pontapés de baliza. No fundo, tudo aquilo que se possa traduzir na bola chegar aos pés do sueco. Porque para eles é batota haver um jogador assim tão desequilibrador dos pratos da balança. Já para nós, o peso de Gyokeres é sustentável. Que remédio(!), ele é o nosso abono de família, um ponta de lança que na nossa história só encontra comparação em Yazalde (50 golos, em 73/74), Jardel (55 golos, em 2001/02) e Peyroteo (58 golos, em 40/41). Com a vantagem de precisar muito pouco da equipa para fazer golos. Como ontem voltou a provar-se: primeiro e segundo golos aproveitando bolas perdidas na área, terceiro golo, de livre, após falta cometida sobre si próprio. Alguém pode achar que isto não é sustentável para um Sportinguista? Insustentável, sim, será perdê-lo na próxima temporada. 

Entretanto, a alegria voltou a Alvalade com o regresso de Pedro Gonçalves. Se no Gyokeres falamos de alma, no Pote discorremos sobre massa encefálica: o cérebro de Pote é anormalmente pesado para o contexto do futebol português. Um cérebro made-in Portugal, nascido em Vidago, que não andará longe do peso do de Deco, um sobredotado português com o carimbo do SEF e do Ministério da Administração Interna. Ver este tipo raro de inteligência à solta num relvado em Portugal não é comum, por isso demos graças a Deus por estes momentos exclusivos. É que durante 5 meses a inteligência muito acima da média de Pote esteve escondida em Alcochete e não visível aos olhos de todos nós. Aproveitemos, então. 


Se no ataque o Gyokeres resolve tudo e agora até vai ter a companhia de Pote para que nem tudo dependa dele, do meio-campo para trás as coisas estão finalmente a compor-se com o regresso dos lesionados. É certo que Simões já não voltará esta época e Morita ainda não está ok, mas Hjulmand exibe-se agora a um nível muito próximo do seu melhor e Debast desvenda cada vez melhor os mistérios do círculo central. Depois, os alas Maxi e Quenda vão para cima deles e os seus suplentes (Matheus e Fresneda) descrevem diagonais que são uma forma alternativa e complementar de jogar. Finalmente, temos centrais para dar e vender. Com o excesso, "vendemos" o Debast ao sector de meio campo e o Matheus à ala esquerda. Sobraram o Quaresma, o Diomande e o Inácio. E o St Juste, para nos lembrar que a vida é como os elevadores: umas vezes para cima, outras para baixo, com uma ou outra avaria pelo meio. No final, o que espero é que também eie possa uma vez mais subir no elevador da glória (Glória?), com o povo leonino à bica (Bica?) nas ruas que vão dar ao Marquês. 

Tenor "Tudo ao molho...": Vik "Thor" (Who else?)

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16
Abr25

E a APAF não “referee” isto?


Pedro Azevedo

Em 117 árbitros, auxiliares e VARs escolhidos para o Mundial de Clubes, Portugal ficou excluído do lote de 41 países que far-se-ão representar. Entre estes marcará presença El Salvador, aquele país que aqui há uns dias o Jorge Jesus, na sua proverbial jactância, questionou se teria futebol. É mais um sinal claro e inequívoco da falta de qualidade da arbitragem portuguesa, ainda que muitos queiram agora associar-se ao velório criado a partir da não eleição de Pedro Proença para o Comité Executivo da UEFA. Para essas "viúvas", relembro apenas que já no tempo de Fernando Gomes era frequente os árbitros portugueses ficarem fora das maiores competições internacionais de selecções. E a APAF (e o Conselho de Arbitragem) não "referee" isto? Talvez fosse bom meditar sobre os factos (e não apenas suposições). 

16
Abr25

Discreto e muito bom


Pedro Azevedo

Pouco estimado pela imprensa lusa, sempre pródiga a endeusar treinadores com um perfil mais exuberante, Vitor Pereira está a realizar um trabalho notável no Wolverhampton. Campeão em Portugal (Porto, 3 vezes, duas como treinador principal), Grécia e China, o português sentou-se, ia a temporada já a meio, na sua cadeira de sonho (a Premier League). Pegando no Wolves na penúltima posição, a 5 pontos da linha de água, Pereira iniciou então uma recuperação notável que lhe permitiu, em apenas 16 jogos,  ganhar 22 pontos ao Leicester e 16 pontos ao Ipswich, os clubes que estavam imediatamente à frente aquando da sua chegada, de forma a conduzir o Wolverhampton para cima da linha da água, a velejar como um overcraft ou catamarã. Só para se ter uma ideia, se só contassem os resultados dos últimos 15 jogos, o Wolves seria oitavo classificado, melhorando para segundo, se a análise incidisse sobre os últimos 10 jogos, e para primeiro, caso apenas se somassem os pontos acumulados nos últimos 5 jogos. Além de um desempenho desportivo que não se limitou aos "mínimos olímpicos" (a 6 jornadas do fim, o Wolverhampton tem actualmente mais 14 pontos que o último clube a ser despromovido, o que significa que na próxima jornada pode assegurar matematicamente a promoção) e das 4 vitórias seguidas do clube na competição que igualam uma marca atingida pela última vez em 1971 (há 54 anos!!!), Vitor Pereira conseguiu criar uma relação com os adeptos de grande envolvência que o faz ser idolatrado ao ponto de várias das suas frases poderem ser avistadas em cartazes no Molineux. A mais célebre delas é um trocadilho particularmente bem sucedido em inglês e que versa assim: "First the points, then the pints", ou seja, primeiro os pontos, depois as imperiais. Então, que tudo acabe numa dionisíaca embriaguez! E que ninguém se aleije. Pode ser assim que a, no que particularmente lhe toca, sóbria imprensa nacional lhe teça as inflamadas loas com que costuma mimar, por exemplo, aquele que um dia, no Dragão, Vitor Pereira fez ajoelhar, ele que nos três anos que esteve no FC Porto não falhou uma conquista de campeonato. A não ser assim, será caso para comprovar o velho provérbio português que nos diz que vale mais cair em graça do que ser de facto engraçado. 

P.S. Nas 16 jornadas antes de Vitor Pereira, o Wolverhampton fez 9 pontos. No mesmo número de jogos com o treinador português, o Wolves acumulou 26 pontos. 

12
Abr25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O dia em que a realidade superou a ficção


Pedro Azevedo

Quando, em "Once upon a time in Hollywood", Tarantino mudou o destino de Sharon Tate, na verdade uma vítima mortal do clã de Charles Manson, estava de facto a piscar o olho ao espectador, mostrando-lhe que a ficção podia alterar a realidade dos factos sem que daí resultasse necessariamente qualquer desconforto a quem esperaria um final diferente. Foi surpreendente. Hoje aconteceu o contrário, o Godot (Pote) finalmente apareceu, o que fez com que a realidade tivesse contrariado a ficção de Beckett. Também não houve qualquer desconforto, pelo menos entre os Sportinguistas, o que mostra que a ficção e a realidade podem distorcer-se entre si sem que ninguém se incomode, desde que tal agrade a quem assiste. Algo que os políticos já aprenderam há muitos anos...  

 

Para quem durante 4 décadas teve de conformar-se com ver o seu clube como um underdog, a "Táctica do Cachorrinho", que consiste em ficar em vantagem no marcador e depois desistir do ataque continuado, recuar linhas e lançar a bola na direcção do Gyokeres como se esta fosse um osso e ele um vira-lata, até pode parecer uma promoção. Mas a verdade é que no campeonato tal resultou numa despromoção, com o Sporting a descer de primeiro para segundo na tabela classificativa.  Talvez para evitar mais do mesmo, hoje Rui Borges pareceu querer evitar ficar cedo em vantagem. Por isso, Quenda ficou no banco e entrou Fresneda, o que num jogo onde o m2 estava caríssimo significou abdicar de criar quaisquer desequilíbrios. Assim, a primeira parte foi paupérrima, com Borges a querer personificar aquele lema do Bukowski de que "um gosto precoce de morte não é necessariamente uma coisa má". E de morte de facto se tratava, na medida em que, se o Sporting não vencesse, o campeonato estaria irremediavelmente perdido. O Santa Clara pressionava em cima, o espaço era pouco ou nenhum, mas é nesses momentos em que se solta o geny(o) da lâmpada daqueles jogadores acima da média. E foi o que aconteceu quando, já no segundo tempo, o Trincão meteu um passe nas costas da defesa açoriana e daí resultou um golo do Catamo. A diferença é que desta vez não recuámos linhas, continuámos a atacar e Fresneda até conseguiu finalmente ganhar a linha e centrar para Gyokeres estrelar uma bola na trave.  Ou Diomande marcar um golo que desta vez foi anulado por 13 cm. Pelo que o Santa Clara a partir daí só incomodou através de livres directos saídos do arco da velha apitagem à portuguesa que marca faltas por tudo ou por nada, a não ser que a vítima seja alta e espadaúda como o Gyokeres, o que nesse caso significa que vale tudo menos tirar olhos. 

O Sporting ganhou e o Pedro Gonçalves voltou. Não é só contrariar o Beckett, há qualquer coisa de sebastiânico no regresso do martir Pote de Alcochete-Quibir, no sentido em que a partir deste facto a nossa história pode ser recriada. Agora só temos que disfarçar isto, fingir que nada mudou e tirar a máscara (por enquanto o Gyokeres pode emprestar a dele) na altura certa, na Luz. Assim a jeito de Almeida Garrett, em Frei Luís de Sousa: 

-"Romeiro, quem és tu?"

-"Ninguém!"

 

 

"Quando faltar a inspiração, que não falte a atitude". Hoje batemo-nos como leões, contra ventos (fortes) e marés (enxurrada de Cláudio Pereira em jogos com o Santa Clara).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo 

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10
Abr25

Factos sobre Aurélio Pereira (1)


Pedro Azevedo

Durante o seu percurso como prospector de talentos, Aurélio Pereira identificou e recrutou para os escalões jovens do Sporting mais de 60 jogadores que viriam a ser internacionais A por Portugal, 10 deles aliás presentes no Europeu de 2016 da nossa glória (8 titulares e 2 suplentes utilizados na final contra o país anfitrião), o que valeu a essa Selecção o justo epíteto de "Aurélios". 

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08
Abr25

RIP, Senhor Aurélio


Pedro Azevedo

Se Salazar Carreira, Reis Pinto e Mário Moniz Pereira serão sempre recordados como símbolos do ecletismo leonino, Aurélio Pereira será sempre lembrado como o Senhor-Formação, o scouter dos scouters a sério, num tempo sem Football Manager, Transfermarket e outras aplicações criadas com o intento de atirar números â cara como se isso substituísse aquilo que só um par de olhos experimentados consegue ver e o instinto pressentir. Morreu o Aurélio, que é como quem diz ganhou a imortalidade. Porque enquanto houver um Sportinguista por cá, nunca será esquecido. Transferiu-se para a equipa de Deus, também Ele à procura de quem o oriente na escolha e manutenção do melhor plantel de anjos da guarda ao seu redor. Até sempre! 

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