Tudo ao molho e fé em Gyokeres
A Lei de Lavoisier
Pedro Azevedo
Na apresentação de João Pereira, o presidente do Sporting afirmou que iríamos vê-lo num colosso europeu dentro de 4 anos. Logo as más línguas o contestaram, alegando que a afirmação era ousada e até criadora de uma pressão adicional completamente desnecessária, na medida em que o treinador tinha um currículo incipiente e tudo a provar, mas Varandas mais uma vez provou ser um visionário: é que sendo o Guardiola o exemplo a seguir no que toca à tarefa de treinar colossos, o João Pereira está quase a igualá-lo (o catalão perdeu recentemente cinco jogos consecutivos e o JP já vai em quatro). [Ainda vamos descobrir que o treinador Rúben levou consigo o presidente Amorim e que no fim todos ficaram a perder, porque no United o Amorim precisaria de presidir para ter sucesso e no Sporting o Frederico necessitaria que o Rúben treinasse para que ele pudesse brincar aos presidentes sem grande dolo para a instituição.]
A única coisa de que não gostei na referida apresentação foi que o nosso presidente se referisse a outros clubes que não o nosso como colossos. Porque, pelo menos para mim, o Sporting é um colosso. Ou era, até há duas semanas, antes de perder 4 jogos em 15 dias. E, se calhar, voltará a sê-lo, daqui a 4 anos, quando o João Pereira regressar a Alvalade depois de uma passagem pelo Braga como tirocínio para o sucesso. A ser assim, mais uma vez Varandas mostrará ser um oráculo. E as televisões voltarão a repetir ininterruptamente aquele dia em que o nosso presidente anunciou que João Pereira daria treinador.
Um Sportinguista aguenta quase tudo, mas quando os treinadores começam com a ladainha do "levantar a cabeça" para mim é como se estivessem a anunciar o mau tempo. Vai daí, o Quaresma tanto levantou a cabeça que foi parar ao hospital. Outra coisa que me enerva no clube são as razões de cada um, quando a única razão relevante é a do clube. O problema é quando todos os adeptos têm razão e o clube não. Aí algo terá de ser feito, porque o clube não pode ser o oposto da unanimidade dos seus adeptos. A não ser que se queira um clube sem adeptos, o que é capaz de no fim se traduzir num clube cujos únicos adeptos intervenientes serão só aqueles que o clube não quer ter como adeptos, os não-adeptos, os que continuam a mandar tochas na direcção dos jogadores e assim. Por outro lado, os adeptos sem o clube sentir-se-ão órfãos. Querem ver que depois da orfandade em relação a Amorim, desejam que sejamos órfãos do nosso próprio Sporting? É que se eu até concordo que o clube não pode ser gerido de fora para dentro, já não estou de acordo que não seja gerido de dentro para dentro e de dentro para fora... [O Amorim já se acabou, o Viana está-se a acabar, Frederico, Frederico, Frederico será que o seu silêncio traz água no bico?]
Depois do "levantar a cabeça", só falta ouvirmos que "não deitamos a toalha ao chão". Até a podemos deitar, mas estará lá o grande Paulinho para a apanhar e levantar. Porque por cada leão que cair, outro se levantará. [Não deixa de ser paradigmático de uma certa forma de estar que depois do "Onde vai um, vão todos", que não é mais do que um arremedo de "E pluribus unum", a outra frase mais icónica do mundo Sporting tenha sido proferida por um.. portista.]
Quanto ao jogo, eu gostava de perceber se a ideia de pôr o Quenda a jogar a interior esquerdo, quando o Quenda foi sempre ala direito, obedece a alguma lição de nível III apreendida num livro do Lampedusa ("É preciso mudar alguma coisa para que tudo fique igual"). Mas, também, se há alguma cláusula no contrato do Trincão que o obrigue a jogar 90 minutos, ainda que nesses 90 minutos entregue sucessivamente a bola ao adversário. A não haver, o objectivo deve ter sido treinar a transição defensiva. Ou a paciência dos adeptos, que nesta transição pós-Amorim também já começam os jogos na defensiva. Finalmente, qual a "ambição" desmedida que presidiu a que Harder jogasse 3 minutos? De resto, só quero lamentar que o lesionado crónico St Juste nos intervalos das lesões continue cronicamente a ter paragens cerebrais como no segundo golo dos belgas, em que pôs o marcador do golo em jogo.
"Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Lei de Lavoisier. E é isto, Sportinguistas, nós não perdemos, estamos só a transformarmo-nos... Não é, Dr Varandas?
A natureza tem horror ao vazio, logo surgem as ervas daninhas... Oh yeah!!!
Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres







