As minhas irritações (2)
Auto-golos por deflecção passiva
Pedro Azevedo
A minha irritação de hoje prende-se com o facto de um golo ser atribuído a um jogador da equipa que o sofre, caso a bola não seja considerada como indo na direcção da sua baliza antes de nele ter embatido. Além de muitas vezes o julgamento ser subjectivo - no remate do Nuno Santos contra o Estoril alguém tem 100% de certeza de que a bola não iria na direcção da baliza? -, despreza simultaneamente o autor do remate e a sua possível criatividade: eu não sei se não estamos a falar de um Euclides (mestre da geometria) em potência, de um Ronnie O'Sullivan travestido de futebolista ou simplesmente de um estrábico, a verdade é que sem o remate não teria havido golo. O que se me afigura diferente do caso de um jogador que ao tentar interceptar um cruzamento deflecte a bola, por azar ou simples azelhice, para dentro da sua própria baliza, porque aí há uma intenção deliberada de jogar a bola. Ao contrário da do pobre jogador que vê a bola embater-lhe por sortilégio e, como se o castigo já não fosse suficientemente severo, ainda lhe é atribuído um auto-golo (vamos pedir aos guarda-redes para não se mexerem nos livres, com medo que a bola, vinda da barra, lhes acerte nas costas e entre?). Quem escreve regras ou instruções assim não pode gostar de futebol. Nem de bilhar, porque certamente não suportaria as tabelas existentes na mesa (ou daria os pontos à mesa, e não ao bilharista). Auto-golos por deflecção passiva? É um ângulo possível de análise, mas não o meu.

PS: Aceito sugestões de outras coisas, além do meu blogue, que Vos irritem no mundo do futebol jogado ou falado, prometendo escrever sobre elas caso o sentimento seja mútuo.








