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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

30
Jan24

Tudo ao molho e fé em Deus

Levantados do chão (com molas)


Pedro Azevedo

Quem me lê há algum tempo sabe que a minha primeira recordação do Sporting é de um jogo no José Alvalade contra o Oriental que ganhámos por 8-0 (5-0 ao intervalo), em que o Yazalde (meu primeiro ídolo) marcou 5 golos a um guarda-redes da equipa de Marvila chamado Azevedo (sim, por coincidências da vida, houve um homónimo a encaixar oito bolas associado à minha primeira memória futebolística e do Sporting). Esse jogo vivi-o pela telefonia, que ainda não tinha idade para ir ao futebol, pelo que o que começou numa onda média (da rádio) só se transformou verdadeiramente num tsunami (de emoções) quando entrei no nosso estádio pela primeira vez (5-1 ao Porto, época de 75/76). Pois bem, quis o sortilégio que ontem, data do meu aniversário, o Sporting me brindasse com um presente de dimensão em tudo igual à do supracitado jogo de 73/74, evocando-me, 50 anos depois, a memória dessa onda (verde) em crescendo. Uma obra também do Gyokerismo, a doutrina que o sueco trouxe para Portugal e que a todos no Sporting parece estar a tomar de encantamento. 

 

Se existe o paradigma de um novo normal em Alvalade que se pode associar a Gyokeres, outras coisas há que são cíclicas. Como o central de lança Coates, o nosso capitão, que ontem reapareceu para desbloquear o marcador e tornar fácil aquilo que de outro modo poderia ter-se complicado. Aberta a rolha do champagne, no refluxo o Pote recebeu um passe de ruptura (magnífico) do Inácio, isolou-se na meia esquerda e serviu em bandeja de prata o Gyokeres para o segundo. Depois, o Hjulmand desmarcou o Pote e este deu uma raquetada na bola que passou o guarda-redes. Seguiu-se um momento de Gyokeres que fez lembrar uma jogada do Eusébio contra a Coreia do Norte, tal a demonstração de técnica, força e velocidade. Como no Mundial de 66, a coisa acabou em penálti, que convertido (pois claro!) pelo próprio daria o quarto da noite. Destaque para o túnel prévio escavado por Nuno Santos que fez desabar por completo as pretensões dos Gansos. E antes do intervalo ainda houve mais um golo, com o Trincão a mostrar que estes são como o ketchup e a chutar com o pé mais à mão (o direito), depois do Edwards ter fintado dois dentro de uma cabine telefónica antes de chocar com a porta de saída. 

 

Com cinco golos de vantagem, terá havido quem pensasse que no segundo tempo o Sporting tiraria o pé do acelerador. Mas não, a equipa queria vingar a derrota na Taça da Liga e emitir um "statement" destinado à concorrência, pelo que não abrandou. (Não sei se o Amorim será milagreiro, mas não se via uma recuperação assim desde que Jesus ordenou a Lázaro que se levantasse e andasse.)

 

Levantado do chão, com molas, o Sporting continuou a procurar a baliza do Casa Pia. Nesse sentido, o Geny entrou para alargar a margem. Sábio, o Rúben lançou também o Paulinho. Mas aí o motivo foi a contenção dos danos infligidos aos casapianos, que o Coates e o Trincão estavam imparáveis e era preciso evitar a todo o custo que o Sporting atingisse o duplo digito e com isso ficasse na lua e pudesse não voltar a assentar os pés em terra firme. A missão era difícil, desde logo porque o Gyokeres fumegava que nem um touro enraivecido e não parava de correr. A solução foi começar a lançar o Paulinho em profundidade ou solicitar a sua comparência ao primeiro poste para encostar, tudo coisas que no fundo não favorecem o seu associativismo. Pelo que a custo lá ficámos nos 8, o número da sorte para os chineses, o infinito ali de lado, que de infinitas possibilidades se fazem os sonhos em que tudo é possível. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

gyokeres casa pia.jpeg

26
Jan24

Sinnerman


Pedro Azevedo

O italiano Jannick Sinner cometeu o sacrilégio de destruir o deus Novak Djokovic e apurou-se para a final do Open da Austrália, onde terá de se haver com o "polvo" Medvedev, uma vez mais sobrevivente a um duelo épico (desta vez com Sascha Zverev) em que esteve a perder por 2 sets. 

"Oh, sinnerman, where you gonna run to?Sinnerman where you gonna run to?Where you gonna run to?All on that day"

25
Jan24

Mateus Fernandes & Companhia


Pedro Azevedo

Koba Koindredi tem vindo a ser cogitado para o Sporting, o que se compreende na medida em que o plantel dos Leões não tem um jogador com as suas características desde que Matheus Nunes saiu para o Wolverhapton. Com isto não digo que Koba esteja actualmente ao nível de Matheus, porque a meu ver ainda lhe falta mais robustez física e até velocidade na condução, mas a forma como roda sobre os adversários à saída da zona de pressão e a perpendicularidade que emprega na progressão com bola são semelhantes. [A vantagem de conquistar o corredor central é não só esse ser o caminho mais rápido para a baliza (confrontar com o Teorema de Pitágoras) como também o único que permite 3 opções de passe distintas (frontal, para a esquerda ou para a direita). A dificuldade de o conquistar prende-se com o facto de ser o mais povoado.]

 

Como o Sporting tem um jogador emprestado ao Estoril, poderá parecer estranho para alguns que recorra agora a Koba. Simplesmente, apesar de também ser médio, Mateus (sem "h") é um jogador não tão complementar em relação ao plantel actual dos Leões, muito mais na linha de Morita, um atleta que tem no passe a sua arma e que é mais de aparecer na área, sem bola ou através de tabelinhas, do que de arrastar a bola até à área. Salta porém à vista o muito que Mateus tem crescido em dimensão física, o que só realça o mérito deste empréstimo para jogar. Hábil nos duelos individuais já ele era, mas agora o seu poder de choque é muito superior, o que o torna um jogador interessante, tanto do ponto de vista ofensivo como defensivo, para fazer parte do plantel na próxima época. 

 

Mateus está a crescer no Estoril e aparentemente isso é recíproco. O problema do clube da Linha talvez seja ser visto como uma moldura por diferentes jogadores, o que eventualmente estará na origem de um maior empolgamento em jogos com os Grandes, mais mediáticos, e não tanto em partidas com adversários do "seu campeonato". Já se sabe porém que a qualidade está lá, bem patente também em jogadores como Guitane, Rodrigo Gomes, João Marques, Alejandro Marque ou Holsgrove que apresentam um nível técnico acima da média. No Sábado, terão a oportunidade de o confirmar. E aqui terão um adepto circunstancial. 

mateus fernandes.jpg

24
Jan24

Tudo ao molho e fé em Deus

Eficiência vs Eficácia


Pedro Azevedo

Para quem se preocupa com o rendimento, o jogo de ontem do Sporting mostrou a diferença entre a eficiência e a eficácia. Quer dizer, o Sporting foi eficiente, na medida em que com os recursos disponíveis - havia jogadores importantes na dinâmica da equipa ausentes pela participação nas taças da Ásia e de África - conseguiu dominar o jogo e ter as melhores oportunidades. Mas não concretizou essas oportunidades, e nessa medida não foi eficaz. Depois, há quem analise o jogo do ponto de vista etéreo. Por exemplo, para as "viúvas" do Paulinho, a sua exclusão do onze inicial teve como consequência a derrota, ainda que tenha tido 23 minutos (mais 4 de descontos) para fazer a diferença e nem sequer se tenha dado por ele. São os mesmos que agora desenvolvem a teoria de que o Gyokeres beneficia muito da presença do Paulinho, quando o sueco tem tantos golos marcados (11) com o português em campo como fora dele (já a influência positiva de Gyokeres no rendimento de Paulinho é visível pelos 9 golos que o português marcou com o sueco em campo, contra apenas 4, dois deles com o Dumiense, sem ele presente). E, finalmente, há ainda os amantes do esoterismo, os supersticiosos: para eles, o Sporting foi também vítima da evolução do jogo, ou melhor, da evolução das infraestruturas adjacentes ao jogo: no futebol de antigamente, três pancadinhas na madeira teriam dado sorte; na era do pós-revolução industrial e dos postes metálicos, malhar três vezes no ferro produziu um manifesto azar. São os mesmíssimos que acham que os eventos do Esgaio não dar andamento pela faixa direita e lhe ter parado o cérebro no golo do Braga estão relacionados com uma tremenda falta de sorte ou com uma intervenção nefasta do bruxo Nhaga. 

 

A ideia da sorte ou azar num qualquer tipo de jogo não é totalmente descabida. Diria até que a sorte e o azar fazem parte do jogo. Todavia, aquilo a que chamamos de sorte acontece mais quando a oportunidade certa encontra a preparação adequada, e ontem mesmo os espíritos preparados não conseguiram concretizar as oportunidades que tiveram (bolas a rasar os postes, de Pote, Gyokeres e Quaresma). Pelo que as melhores oportunidades (as bolas nos postes) surgiram mais de boa preparação (remates colocados, de longe) do que de situações reais em que um jogador aparece isolado em frente ao guarda-redes. Ou seja, nessas circunstâncias, foi mais a boa preparação do jogador que criou a oportunidade e não a oportunidade criada pela dinâmica da equipa que esperou a preparação certa. E quando a dinâmica da equipa criou a oportunidade, a bola saiu ao lado. Depois, após sofrido o golo, a equipa perdeu o tino, por quebra anímica ou substituições que não produziram efeito, mostrando-se impreparada para a situação e não vendo na ameaça a oportunidade de fazer algo épico como dar a volta ao jogo. 

 

De lado ficaram também as aspirações do Sporting de vencer a Taça da Liga, falhando assim o primeiro objectivo da época. Sendo esta claramente a competição menos importante daquelas em que estamos inseridos, tal não será muito grave. Gravíssimo seria a equipa desmoralizar e os adeptos desmobilizarem, porque há ainda coisas muito importantes para ganhar esta temporada. Como o Campeonato, a Taça de Portugal e mesmo a Liga Europa, esta última uma prova que o Sporting precisa de encarar com uma ambição condizente com o lema do seu fundador. Num certo sentido, esta derrota até se poderá traduzir em algo positivo, capaz de se vir a reflectir em muitas vitórias futuras. É, todavia, imperial que se aprenda com os erros e se corrija o que está mal. Porque não podemos ter uma ala direita coxa, que não dê andamento atacante e comprometa defensivamente. Pelo que ou se vai ao mercado, ou se adapta St Juste, Quaresma ou mesmo o Afonso ali, como está é que não se pode manter (o Geny deveria ser mais uma solução como interior, ou extremo num 4-2-3-1 com, por exemplo, Quaresma a fazer de lateral). Se tal acontecer, então poder-se-á esperar sermos ainda mais eficientes, melhorando ainda mais as tarefas desempenhadas pelos recursos disponíveis ao disponibilizar melhores recursos para o processo. E sendo ainda mais eficientes, estaremos mais perto de ganhar. Porque mais oportunidades surgirão. E os golos também, por mais ou menos eficácia que haja. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma (Nuno Santos, que fez um jogo de raça, à leão, seria a minha 2ª opção). O nosso central esteve simplesmente magnífico, mostrando a sua refinada técnica (ser bom na "roleta" num jogo de sorte ou azar é sempre uma mais-valia) e impressionante velocidade. 

nuno santos braga.jpg

23
Jan24

Ranking GAP Sporting


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2023/2024, o Sporting disputou até agora 29 jogos - 18 para o Campeonato Nacional, 6 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 2 para a Taça da Liga -, obtendo 23 vitórias (79,3%), 3 empates (10,35%) e 3 derrotas (10,35%), com 76 golos marcados (média de 2,62 golos/jogo) e 29 golos sofridos (1,00 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas de golo):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Gyokeres (22,10,9), Paulinho (13,2,3), Pote (10,8,6);

2) MVP: Gyokeres (95 pontos), Pote (52), Paulinho (46); 

3) Influência: Gyokeres (41 contribuições), Pote (24), Paulinho (18), Edwards e Santos (17);

4) Goleador: Gyokeres (22 golos), Paulinho (13), Pote (10);

5) Assistências: Gyokeres (10), Nuno Santos, Pote (8).

 

Conclusões:

  • Gyokeres lidera todas as classificações de estatísticas ofensivas: GAP, MVP, Influência, Goleador, Assistências;
  • Intervalos (minutos/golos): 0-15 (9), 16-30 (9), 31-45 (14), 46-60 (20), 61-75 (10), 76-90 (14); 
  • Influência de Gyokeres: 53,94% dos golos totais do Sporting (de fora em 4 jogos). Influência de Gyokeres nos jogos que disputou (25): 61,2% dos golos marcados (67) pelo Sporting nesses jogos. Arrasador!!!;

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 29 24.png

22
Jan24

Borges impressiona na despedida


Pedro Azevedo

Sagaz, Nuno Borges obrigou Daniil Medvedev - um jogador que consta de um Olimpo onde actualmente só Alcaraz e Djokovic também se sentam - a correr de um lado para o outro e assim desgastar-se à medida que o português ia descobrindo ângulos cada vez mais fechados (face à rede) no court. Jogando com o facto de o russo defender muito atrás, Borges usou também na perfeição a arma do amorti, obrigando Medvedev a constantes sprints, e procurou também o serviço-volley e subir à rede sempre que possível. No geral, fez um jogo assente na inteligência e com momentos de grande virtuosismo técnico. O que lhe faltou? Um ou outro Ás em momentos decisivos do encontro teria sido importante contra um adversário conhecido por ser uma máquina de devolução de bolas. Relembro que Borges só conseguiu 5 Ases, quase todos no 1º set, contra 13 do russo, quando havia conseguido obter 22 no encontro que o opôs a Dimitrov. Com um jogo agressivo, Borges produziu 54 winners contra os 34 de Medvedev. O reverso da medalha foram os seus 66 erros não forçados (34 de Medvedev), muitos após longos rallies em que o russo conseguia sempre fazer a bola passar a rede e aterrar dentro da área defendida por Borges. Ainda assim, chegou a dar a sensação de que Borges poderia vencer Medvedev, o que não deixa de ser surpreendente. O português merece assim todos os encómios dos analistas, ele que no fim foi muítissimo elogiado quer por Medvedev, impresionado com a sua agressividade, quer pela lenda John McEnroe ("He started to drive Medvedev crazy"). Acordado do sonho em Melbourne, Borges verificará que subiu um patamar competitivo no seu ténis. A nós resta a esperança de que esta quarta ronda num Grand Slam tenha sido o desbloqueio psicológico de que o português necessitava a fim de continuar a progredir no ranking mundial, superar a melhor posição de sempre de um luso (João Sousa, 28º) e, quem sabe, entrar no todo exclusivo Top 10 mundial, ele que para já deverá subir à posição nº 47 (2º melhor luso de sempre). Talento, físico e inteligência ele tem de sobra, assim a mente (que lhe permitiu salvar 2 match-points antes de quebrar o serviço ao adversário por 2 vezes e ganhar o 3º set) o acompanhe nessa perseguição do estrelato.

 

PS: Como curiosidade, enquanto no quadro masculino já não há outsiders nos quartos de final e estão lá os 6 primeiros do ranking mundial (ATP), no quadro feminino metade das jogadores apuradas não eram cabeças de série. Os seus nomes: Noskova (Chéquia, 50ª ranking WTA), Yastremska (Ucrânia, 93ª), Kalinskaya (Rússia, 75ª) e Kostyuk (Ucrânia, 37ª).

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22
Jan24

Futsal(a) de troféus


Pedro Azevedo

O Sporting venceu ontem o Benfica (4-2) e conquistou a Taça da Liga, o 45º troféu que a modalidade na sua vertente masculina contabiliza na sala de troféus do Museu de Alvalade (há ainda que somar 14 competições regionais): são 18 Campeonatos Nacionais, 9 Taças de Portugal, 5 Taças da Liga e 11 Supertaças, sem esquecer as duas Champions a nível europeu. Já Nuno Dias, o nosso treinador, continua a saga imparável que o torna uma figura incontornável na história do Sporting e do futsal mundial, tendo ontem conquistado o seu 28º troféu pelo clube, curiosamente tantos troféus quantos os que o Benfica possui na modalidade [8 Campeonatos (os mesmos que o rival), 7 Supertaças (menos uma), 6 Taças de Portugal (menos uma), 5 Taças da Liga (mais uma) e 2 Ligas dos Campeões (mais uma)].  

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19
Jan24

Tudo ao molho e fé em Deus

O Fantasma da Oprah


Pedro Azevedo

Caro Leitor, a noite passada tive uma branca (e verde), um momento digno dos contos do imprevisto, uma visão paranormal e hitchcockiana imprimida no meu cérebro ao jeito de um quadro de Dali (havia também pelo menos um rinoceronte que levava tudo à frente) que me transportou para uma janela nas minhas sinapses que eu julgava estar calafetada e subitamente se abriu. Pelo que não sei se sonhei, se estava acordado, ou até se sonhei acordado, mas juro que vi o Bryan Ruiz em Vizela. Sim, só podia ser ele, pois na minha memória recordo ainda aquele remate de baliza aberta em que a bola não entrou, reminiscência de um outro mais antigo atribuído a ele que ainda hoje me causa pesadelos. Agora, se era o Ruiz em carne e osso não sei, a mim pareceu-me mais o fantasma do Bryan. Mas também há que dizer que há fragmentos da primeira parte para mim confusos, tanto que por causa do Esgaio estivemos a Soro e só mesmo nas urgências se começou a resolver o problema. De forma que quando voltei a olhar para o ecrã já não vi mais o Ruiz, era o Gyokeres que eu conheço que estava a marcar um grande golo e a festejar de máscara. Um golo em forma de swing, que abriu novas perspectivas, tal como uma boa tacada de abertura de um buraco por parte de um golfista. [A alusão ao golfe aqui não é dispicienda, porque o que Gyokeres rodou o seu corpo nesse lance teria sido de fazer inveja ao Tiger Woods que conhecemos antes das múltiplas operações às hérnias discais e à ciática, handicap que dizem as más linguas ter sido provocado por múltiplos embates com mulheres de grau de dificuldade (sinuosidade) superior ao par do campo.]

 

Estava eu ainda a recompor-me daqueles achaques do primeiro tempo que alimentariam um bom programa da Oprah (Winfrey) quando o Gyokeres assustou o guarda-redes do Vizela. Diz-se do medo que este é paralisante, e o pobre do Buntic provou-o ao ficar quedo perante a iminência da aproximação do colosso sueco. O resultado foi que a bola entrou directa, impelida por um renascido Trincão. O mesmo que pouco depois serviu Paulinho na perfeição para o terceiro. (Pausa para checar a pulsação, para ver se era mesmo verdade aquilo que os meus olhos diziam e a razão não queria acreditar.) Após este último golo veio uma quebra de adrenalina. O Amorim também descomprimiu e tirou o Hjulmand do relvado antes que este fosse expulso. Não que este receio encontrasse lógica na acção do jogador, mas devido à habilidosa dualidade de criterios do árbitro. Um árbitro que no entanto se mostrou particularmente judicioso no que respeita a Gyokeres, sempre preocupado em testar os seus sinais vitais após cada novo embate com Anderson, um defesa abençoado pelos deuses do apito ao ponto de ter permanecido em campo os 90 minutos. Até que o Essende lá fez umas das suas diagonais, o Quaresma (mais um grande jogo!!!) desta vez não estava por perto para fazer de SOS e o Coates ficou a pedir uma falta de pernas e a ver a bola entrar na nossa baliza. Logo se reavivaram os fantasmas do passado, as perdidas do Ruiz e a derrota no União da Madeira, um bate-boca com o consócio ao lado sobre o vício do desperdício e os porquês da saída do dinamarquês e assim. Foi curto porém esse revivalismo, porque o nosso capitão foi à área contrária mostrar que o que não lhe falta é cabeça e voltou a alargar a nossa vantagem. E depois o Gyokeres mandou mais uma pedrada e igualou o seu melhor registo goleador no Coventry, quando ainda vamos a meio da temporada. 

 

Cinco golos marcados, 3 anulados (2 a Gyokeres e 1 a Paulinho) e inúmeros falhados depois (mais uns tantos penaltis a favor por assinalar) - além do supramencionado, aquele em que o Pote se isola, hesita em chutar e falha o passe para o Gyokeres é também digno daqueles apanhados de fim de ano - , o Sporting segue líder do campeonato. Com o Gyokeres individualmente em grande evidência mas também muito importante pelo efeito de contágio que anima a própria equipa. É que com o Gyokeres em campo os adversários concentram-se nele e abrem espaços para os demais. Além de que com a sua atitude e comprometimento aumentou o nível de exigência para todos os outros, colocando a fasquia muito alta e projectando assim o Sporting para outros vôos. Porque com o Gyokeres veio também o Gyokerismo, uma nova doutrina que seria importante para o futuro que fizesse escola em Alcochete. Isso, sim, seria holístico. [E mais produtivo do que os habituais desabafos desiludidos de sofá (da Oprah) à conta de fantasmas do passado.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

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18
Jan24

Nuno Borges por cima Down Under


Pedro Azevedo

Há um português por cima lá por baixo ("Down Under"), antítese que melhor realça o brilho de um tenista luso. Na Austrália, Nuno Borges superou Alejandro Davidovich Fokina (nº 24 ATP) e qualificou-se para a ronda dos últimos 32 (dezasseis-avos-de-final). A vitória do tenista luso sobre o espanhol produziu-se em apenas 3 sets (3-0), com os parciais de 7-6(9-7), 6-3 e 6-3. Foi a primeira vez que o português logrou ultrapassar uma segunda ronda em torneios de classificação ATP e logo num torneio do Grand Slam (Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open). Recorde-se que, anteriormente, Borges já havia vencido o alemão Marterer, igualmente em 3 sets. Na próxima ronda, Nuno Borges procurará continuar a fazer história quando defrontar o búlgaro Dimitrov (nº 13 ATP), provavelmente o tenista mais talentoso do circuito mundial mas psicologicamente uns furos abaixo da sua competência técnica. Abre-se assim a possibilidade de bater um tenista do Top 15, depois de pela primeira vez ter vencido um jogador situado no Top 25. Inquirido sobre as suas possibilidades futuras, Borges referiu querer continuar a alimentar o sonho. Aguardemos então, sendo certo de que se Borges voltar a ganhar dará um salto de canguru na sua carreira e no Ranking ATP. Ora, não há melhor local do que a Austrália para se verem saltos de canguru, não é verdade? 

nuno borges.jpg

18
Jan24

As minhas irritações (3)

O elogio da trapaça


Pedro Azevedo

A minha irritação de hoje tem a ver com o elogia da trapaça que por vezes é feito por comentadores nas televisões. Por exemplo, no outro dia, num jogo do Sporting, um desses comentadores atribuiu "dores de crescimento" ao Geny Catamo, por este não se ter atirado para o chão na sequência de um adversário lhe ter encostado o braço nas costas dentro da área (sem intensidade que se visse). Da mesma forma que, por oposição, caso o jogador se tivesse deixado cair (mergulhado), não me custa imaginar que o comentador teria elogiado a inteligência do jogador. Ora, sobre isto oferece-me dizer o seguinte: além da irresponsabilidade do dito comentador, que não percebe ter uma nação inteira a ouvir a elegia da deturpação dos valores que devem estar presentes no jogo, tais declarações evidenciam uma cultura desportiva doentia. Porque no dia em que a trapaça for um comprovativo de maturidade, então o melhor é emigrarmos com os nossos filhos deste país. Não só não prova maturidade como seguramente não é um atestado de inteligência, desde logo porque quem é inteligente, e não chico-esperto, não necessita de recorrer a jogo sujo para vencer. Ou não deveria, num país civilizado e que premiasse os mais capazes. Sem truques. O cúmulo é que esta elegia dos maus-costumes foi feita no canal que tem o pacote dos jogos do campeonato e que deveria ser o primeiro interessado em promover o futebol. Só que desse canal não se ouviu um "ai", tal como aliás da Liga, à qual compete zelar pelas boas práticas. Não se pode dizer que tenha sido surpreendente...

simulação.jpg

(Imagem: Blog Além do Apito)

PS: Aceito sugestões de outras coisas, além do meu blogue, que Vos irritem no mundo do futebol jogado ou falado, prometendo escrever sobre elas caso o sentimento seja mútuo. 

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