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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

06
Mar26

Vem aí o Clássico


Pedro Azevedo

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Vem aí o fim de semana e com ele um electrizante Fábio Veríssimo vs FC Porto. Verissimo parte em vantagem nas "casas de a postas" (de pescada), depois do processo aberto pelo Porto ter acabado em águas de bacalhau (coisas do mar do norte), arquivado que foi por falta de evidências, de nexo de causalidade e, digo eu, por excesso de parvoíce. Em transição rápida, Veríssimo contra-atacou com uma denúncia caluniosa que ameaça ser o padrão de uma estratégia portista com tantos tiros para a água que percepciona-se ser mais matéria de robalos do que de roubá-los. Aguarda-se assim com redobrada expectativa a próxima conferência de imprensa desse autêntico Jasper Maskelyne do banco portista, aqui representado por Francesco Farioli, sobre este clássico do futebol português, ele que qual agente do bem durante o jogo continuará a usar reiteradamente o expediente de chamar os seus jogadores à linha lateral para juntos cantarem o kumbayá e evocarem os amanhãs que cantam, esperando-se que daí resulte uma aprofundada análise homeostática sobre o tempo que Verissimo demorou no WC durante o intervalo, bem como sobre o impacto revolucionário da sua expressão facial e gestos na direcção das câmaras no resultado final deste jogo quase nunca jogado com pés e cabeça que promete animar o sempre surpreendente campeonato português. 

05
Mar26

O Rui e eu


Pedro Azevedo

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O futebol português está a transformar-se na versão masculina de "Mulheres à beira de um ataque de nervos", do Almodovar. Senão vejamos: o Alberto Costa testou ao limite a resiliência dos tendões do Geny - "o cão que mordeu o homem" (atenção às aspas) -, mas a notícia é "o homem que mordeu o cão", o gesto de Suárez. Ontem, como hoje, tudo o que é lateral ao jogo é notícia, o futebol em si é só um pretexto para libertar o pior do ser humano. Não sei como se pode pensar em promover um produto assim, mas a verdade é que ninguém no nosso dirigismo está interessado em promover coisa alguma, apenas preocupado com o seu umbigo, em ganhar, seja a que preço for, ainda que à custa do próprio futebol que lhe alimenta o corpo (e não a alma). Por isso, este tipo de dirigismo português só estimula o mais extremado fanatismo, ou seja, o pior e não o melhor da sociedade. Evidentemente, é da química que uma acção gera uma reacção e que é quase impossível a convivência com a desonestidade intelectual de um italiano anglófono (não obstante, nada herdeiro do fair-play britânico) que em conferência de imprensa após uma derrota procura insistentemente uma boia de salvação no árbitro, que aliás até o ajudou ao não expulsar o seu defesa direito. Talvez isso e as concomitantes declarações no mesmo sentido do presidente Villas-Boas, um "menino da Foz" que, curiosamente, com a sua postura está a levar o futebol, qual rio, por uma corrente de água até à sua foz (ocaso), justifiquem o despautério de Varandas, mas nada disto é futebol. 

Ando a ler "A Violência e o Escárnio", do Albert Cossery, livro que me foi recomendado pelo meu amigo Rui Monteiro, ponta de lança bem afiada do incontornável "A Insustentável Leveza de Liedson". Nesse livro, a dado momento, um grupo de subversivos pretende através do humor e do escárnio contestar o poder vigente de um governador déspota. Eu acho que a sobrevivência do futebol português passa muito por aí, pela desconstrução das narrativas oficiais, pela sátira que expõe toda a lateralidade da forma como o futebol é visto em Portugal. A fim de que um dia se recupere o protagonismo para quem de direito: os jogadores. São eles os deuses dos estádios, a razão disto tudo. Eu, quando tenho dúvidas, regresso às origens e penso naquilo que me levou a gostar do futebol: a relação com a bola e a vã tentativa de imitação do que os craques desse tempo espraiavam no relvado. Tenho a convicção de que todos deveriam fazer esse exercício. Como escreveu o Javier Marías, o futebol é a recuperação semanal da infância. Recuperemos então essa infância e não os preconceitos inerentes à idade adulta, e lutemos para que o futebol seja tratado por quem dele gosta, por quem tem cultura desportiva, por quem sabe que, podendo haver futebol sem espectadores (comida sem sal), nunca existirá futebol sem os jogadores, por quem se move pelo amor às coisas e cujo único ódio é ao ruído. A ser assim, um dia no futuro estaríamos a falar da magnífica investida de Suárez pelo lado esquerdo que esteve na origem do nosso golo em vez da sua atitude irreflectida e própria de quem está a viver ao rubro as emoções no relvado e sente na pele a injustiça de uma decisão inacreditável por parte de um juiz que por ser humano e errar como todos nós não logrou defender como seria a sua competência (e desejo, acredito) o direito. 

 

03
Mar26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Xeque ao Rei


Pedro Azevedo

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O Sporting entrou no jogo como em tantos outros jogos quando do outro lado está outro grande: o Leitor imagine uma dona de casa que liga a máquina de lavar, coloca lá dentro a roupinha de algodão, põe a temperatura a 60 graus, acciona o ciclo de lavagem mais longo e posteriormente a secagem à temperatura mais elevada possível. Como consequência, a roupa encolhe. Assim também tem sido o Sporting de Rui Borges nestes jogos: encolhido (o algodão não engana). Aqui fica um exemplo: a primeira linha de pressão costuma situar-se à saída da área do adversário. Pois neste jogo ela estava pouco acima da linha divisória do meio campo, como se estivéssemos a jogar com o PSG, o City, o Bayern ou o Barcelona. Mas estes clubes que referi não queimam tempo, não procuram quebrar o ritmo de jogo, não o param mesmo para que os seus treinadores possam chamar os jogadores à linha lateral para proceder a ajustes tácticos como o Porto faz abundantemente, jogam à bola. Por isso, na minha opinião, o Sporting deveria preocupar-se mais com os seus princípios de jogo e menos com a falta de princípios do jogo que Farioli implementa no Porto. Um Porto de combate, sem dúvida, mas que joga poucochinho, se não quisermos confundir futebol com wrestling. Assim, além das acções individuais de William Gomes, pouco mais Porto houve a nível ofensivo. Por isso, a partir do momento em que Maxi (estrondosa segunda parte) acertou a marcação ao brasileiro, o ataque do Porto desapareceu, com a honrosa excepção de uma "bisca" de longe de Alan Varela. Antes, o Porto deveria ter ficado reduzido a 10 elementos quando Alberto Costa entrou num "tackle" deslizante sobre Geny e lhe acertou em ambas as pernas de uma só vez. O árbitro não viu e o VAR não accionou o mesmo expediente usado na época passada em Aves para expulsar o Diomande com um segundo amarelo, uma chico-espertice à portuguesa que consistiu numa violação do protocolo à conta de uma alegada infracção para cartão vermelho que toda a gente na altura viu que seria excessiva. Adiante...


Se no primeiro tempo pouco se jogou, na etapa complementar o Sporting conseguiu impôr o seu jogo. Com Hjulmand e Morita a controlarem as operações a meio campo, Trincão finalmente a encontrar espaço entrelinhas e Suárez a conseguir libertar-se da marcação apertada dos centrais do Porto, os leões tomaram conta do jogo. E, apesar de uma definição sofrível dos lances no último terço do campo, chegariam ao golo depois de uma exuberante jogada de Suárez pelo lado esquerdo ter visto Fresneda conseguir acertar no poste a 1 metro da linha de baliza. Felizmente, a bola sobrou para Hjulmand e este foi abalroado por Fofana, pelo que não restou opção ao árbitro que não assinalar um penalty que Suárez converteu em golo. Até ao fim, o Sporting poderia ter ampliado a vantagem, mas, mesmo partindo à frente, o motor do Mini de Bragança afogou-se perante os cavalos a mais de Pêpê e a oportunidade perdeu-se. 

Perdido o jogo, logo André Villas-Boas e Farioli se destacaram pelo seu mau perder. Sobre o treinador italiano, que goza das boas-graças da boazinha e subserviente imprensa portuguesa, abro uma excepção para dizer o seguinte sem meias palavras: é um sonso, um "pintoso" armado ao fino, um "pinga a azeite" cujo Princípio de Peter ficou evidenciado quando trocou a profissão de treinador de guarda-redes (na equipa técnica de De Zerbi) pela de treinador principal. Porque enquanto treinador de guarda-redes estimulava o jogo à mão que é comum a modalidades como o andebol ou o basquetebol onde os descontos de tempo fazem parte das regras do jogo. No futebol profissional, não fazem (como caso de estudo sobre a hipocrisia ficou a distinta lata de se ter pronunciado sobre os alegados 5 minutos adicionais que o Sporting se terá demorado a mais no balneário ao intervalo). Rui Borges pode ter origens humildes, mas ao pé de Farioli é um senhor. E também bem menos provinciano do que aqueles que aceitam como bom o comportamento execrável deste italiano que veio para Portugal falar "ingalês" apoiado numa suposta ironia "brutânica" com que vai criticando árbitros, jogadores. os seus pares treinadores e instituições deste país que lhe dá guarida, ele que de fracasso em fracasso pelo mundo veio encontrar no norte do nosso país um último Porto de abrigo. Até ao dia em que lhe acenem com um "Arribederci", com sotaquezinho nortenho e trocando os "v" pelos "b", assim que o oxigénio acabe, a superioridade física da sua equipa se desvaneça (tomem nota do que ocorreu em Nottingham) e fique ainda mais evidente para todos a vacuidade da proposta futebolística que trouxe consigo para Portugal. Joguem à bola!!!

Ja o Sporting, mesmo que a jogar xadrez por muito mais tempo do que eu gostaria, acaba por sair deste "match" com um xeque ao rei (líder actual do campeonato). No Dragão haverá mate (nem que o Maxi o traga de casa). [O mate é uma bebida típica do Uruguai.]

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand

02
Mar26

Queta Airlines


Pedro Azevedo

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Joe Mazzulla já havia dito que Neemias ia continuar a melhorar o seu desempenho, mas esta madrugada, contra os Sixers, o poste dos Celtics teve a maior momento da sua ainda curta carreira na NBA. Aqui ficam as linhas com que se coseu a sua exibição: 27 pontos (máximo pessoal destacado), 17 ressaltos (10 dos quais ofensivos), 3 blocos, 2 assistências e 1 roubo de bola, em 27.17m de utilização. E os números nem dizem tudo porque foi a partir do momento em que começou a solicitar o jogo no pintado ("garrafão") de Queta que a equipa de Boston logrou contornar a sagaz estratégia do treinador dos Philadelphia de condicionamento dos lançamentos triplos adversários. Uma noite de glória para Neemias Queta, com cestos belíssimos e diversificados (e não só "alley-oops"), que se espera seja a primeira de muitas no mais alto patamar. Quem ficou rendido à prestação de Neemias foi Reggie Miller, antigo grande jogador dos Pacers e comentador de serviço da estação televisiva americana que transmitiu o jogo. E depois de Miller seguir-se-ão outros, não haja dúvidas. Há um português a brilhar na NBA e isso é um motivo de enorme contentamento para o nosso país e para todos os adeptos lusos de basquetebol e do desporto em geral. Já sabe, na NBA, não se esqueça de embarcar na Queta Airlines, a voar de costa a costa!!!

28
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Futebol regressa dentro de momentos


Pedro Azevedo

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Em Portugal, um jogo de futebol é tudo aquilo que acontece depois do jogo propriamente dito terminar e enquanto não começa um outro. Nesse sentido (não proibido, mas sim absolutamente obrigatório para os amantes do futebol em Portugal), os doutores da bola reuniram-se em fora (a Edite Estrela não foi convidada, o que justifica que muitos editores não saibam que o plural do sufixo do latim "um" é "a" e não "uns") televisivos a fim de discutirem se a inovação técnico-táctica  "maricón" adicionaria leveza ou peso ao desenho táctico "mono" que alguns juram ter existido em campo. A suportar a discussão, ao fundo ouvia-se aquela musiquinha do Ney Matogrosso, que reza assim:

"O que a gente fazÉ por debaixo dos panoPrá ninguém saber (...)
É debaixo dos panoQue a gente não tem medoPode guardar segredoDe tudo que se temÉ debaixo dos panoQue a gente fala do fulano E diz o que convém 
É debaixo dos panoQue eu me afogoQue eu me danoSem ver meu bem
É debaixo dos panoQue eu me afogoQue eu me danoSem ver meu bem (...)
É debaixo dos panoQue a gente esconde tudoE não se fica mudoE tudo quer fazerÉ debaixo dos panoQue a gente comete um enganoSem ninguém saber."
 
 
Não sei se os doutores terão lido Kundera e o seu "A Insustentável Leveza do Ser", mas a Direcção do Benfica certamente não o leu porque se o tivesse lido saberia que o excesso de leveza no presente conduz a um enorme peso no futuro (em sentido contrário, o Luisão leu-o, o que credibiliza as teorias de Darwin sobre a girafa e o seu papel na evolução das espécies). Bom, a discussão ia rica e intensa como sempre que o assunto (não) é futebol ou em que o futebol é usado apenas para nos mostrar a fragilidade da natureza humana. Eis então que chega uma nova jornada do campeonato nacional e para grande enfado dos tais doutores o assunto do momento tem de ficar a marinar em alhos, vinho e limão num saco hermético colocado no frigorífico de cada estação de TV. É chegada a hora da recepção do Sporting ao Estoril, uma daquelas estopadas burocráticas que quem gosta de futebol em Portugal tem de aturar até poder voltar a pronunciar-se sobre temas que verdadeiramente interessam. 

 
O Estoril é uma equipa dissimulada, camaleónica: apresenta-se com o apelido Praia, o que faz pressupor um time de veraneantes, mas os seus melhores resultados foram obtidos neste Inverno. E para o reforçar ainda usa como apodo o termo "Canarinhos", para que os tomemos em Copacabana ou no Leblon, ou imaginemos uma escola de samba, embora do seu onze base não conste nenhum brasileiro. Tem também um Guitane cujos impostos são retidos na fonte, só para contrariar a narrativa do Ventura, o que demonstra uma forte propensão de combate ao arrivismo, bem corroborada na atitude sensata do seu treinador, um homem sereno e cheio de boas ideias, que tem subido a pulso na carreira e sem se pôr em bicos de pés, pisar ou necessitar de favores de alguém. 


Se a sina do Sporting vinha sendo ganhar com golos decisivos no fim, o enredo da noite passada foi o inverso do que vinha sendo costume. Foi assim um Sporting à Benjamim Button aquele que se apresentou em Alvalade, maduro o suficiente para marcar a dobrar logo de início e assim sentenciar o jogo. Para tal muito contribuiu Suárez: se Estoril lembra costa, o colombiano soube espraiar-se nas costas estorilistas, estendendo-se por uma vasta área insuficientemente vigiada, que é sabido que o Instituto de Socorros a Náufragos só presta apoio em época balnear. Se cedo marcou, logo o Sporting procrastinou. Foram vários os avanços estorilistas até à nossa área, mas o nosso quarteto defensivo irredutível tudo conseguiu controlar. Até que o jogo acabou como começou, com novo golo do Sporting, com Bragança investido como a fénix (não confundir com Félix) que renasce das cinzas, superando as adversidades e mostrando-se mais forte e renovado - uma celebração da resiliência. 


Entretanto, o Porto ganhou, na sequência de uma oportuna biqueirada de Fofana no tornozelo de um jogador arouquense, e não haveria melhor parábola para descrever um dos calcanhares de Aquiles do futebol português. Por isso, acima de tudo, convém que não levemos esse futebol a sério, propósito aliás plenamente satisfeito pela existência dos tais programas de TV. Perdoem-nos então esta avaria, este breve interlúdio, o futebol português segue dentro de momentos. 


Tenor "Tudo ao molho...": Suárez
 
24
Fev26

Próximo adversário do Sporting?


Pedro Azevedo

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Hoje, no mítico San Siro (Giuseppe Meazza), haverá um dos mais interessantes duelos dos play-offs desta edição da Liga dos Campeões (20:00, SportTV 5). De um lado teremos o todo poderoso Inter, do outro o surpreendente Bodo/Glimt, uma espécie de bíblico David que ainda resiste num mundo de Golias. E a verdade é que os noruegueses partem em vantagem (3-1 na primeira mão), contando com um jogador que eu referenciei no blogue Castigo Máximo em Setembro de 2000. Trata-se de Jens Petter Hauge, tem actualmente 26 anos, e conhece bem o estádio onde jogará esta noite, em virtude de já ter alinhado pelo grande rival do Inter, o AC Milan. Será o homem a acompanhar, ele que nesta edição da Champions leva 5 golos e 3 assistências, em 11 jogos, precisamente os mesmos números de Kasper Hogh, o outro jogador em evidência nos noruegueses. Num momento do futebol mundial em que o investimento de oligarcas e de estados tem contribuído para o desaparecimento nos patamares mais altos de históricos clubes europeus, a emergência de um clube de uma pequena cidade nórdica (pouco mais de 50.000 habitantes, sensivelmente a capacidade do Estádio José Alvalade) é refrescante. Logo à noite vou estar a torcer por eles, evidentemente, podendo até acontecer (50% de probabilidade, caso ultrapassem os italianos) que venham a ser o próximo adversário do nosso Sporting. 

23
Fev26

Neemias Queta arrasador


Pedro Azevedo

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Houve uma rivalidade muito grande entre os Bulls de Michael Jordan e os Pistons de Isiah Thomas, mas o grande clássico da NBA ainda é qualquer jogo entre os LA Lakers e os Boston Celtics. Ontem houve Clássico, e não foi um qualquer, desde logo porque serviu como pretexto para descerrar a estátua que os Lakers mandaram erigir como homenagem a Pat Riley, o mítico treinador do período "Showtime" da equipa de LA, com este, Magic e Kareem Abdul-Jabbar, entre outros, presentes no pavilhão. Desmancha-prazeres, os Celtics estragaram a festa preparada em Los Angeles. Para tal muito contribuíram Payton Pritchard and Jaylen Brown, mas também Neemias Queta, que além de um duplo-duplo (10 pontos, 12 ressaltos) destacou-se defensivamente por 2 abafanços ("blocos") a LeBron James e ofensivamente por um afundanço em cima da estrela Luka Doncic ("poster"), numa exibição arrasadora do ponto de vista defensivo a que acrescentou apenas 1 lançamento de campo falhado.  Apesar de pouco solicitado ofensivamente, Neemias está cada vez melhor em todos os aspectos do seu jogo. 

22
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Desanuviamento após a Guerra Fria


Pedro Azevedo

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Depois da reedição do clássico Fischer-Spassky, em ambiente de Guerra Fria, transferido do Laugardalshöll (Reykjavik) para o Dragão (ainda assim o Dragão mais islandês de sempre, ou não existisse uma crença popular na Islândia que atribui aos Huldofólk o desaparecimento de bolas), o Sporting deslocou-se a Moreira de Cónegos para defrontar uma equipa com um xadrez estampado no peito. O Moreirense com a vantagem de jogar em casa, o Sporting a jogar de (camisolas) pretas. E o que se pode dizer é que o jogo correu muito bem ao Sporting. Aliás, os 2 jogos com o Moreirense foram porventura os mais conseguidos do Sporting neste campeonato. Essencialmente porque foram jogos de 90 minutos e não de 60, 45 ou 30, em que os Leões tiveram uma irrepreensível atitude competitiva. No jogo de ontem, com uma única excepção: aquele louco minuto à Pink Floyd (o Sporting vencia já por 2-0), de momentâneo lapso de razão, em que de uma assentada concedemos 3 oportunidades à equipa de Moreira de Cónegos.

A ala esquerda formada por Maxi e Luís Guilherme foi tão instrumental no desempenho colectivo do Sporting quanto o conhecimento que o Grande-Mestre Rui Borges tem de um adversário que treinou até há 1 ano e meio atrás. Pressionando a saída de bola de Gilberto Baptista, um possante antigo central das nossas camadas jovens cuja carreira não evoluiu ainda para outros patamares por um histórico de acumulação de desconcentrações comprometedores durante os jogos, o Sporting recuperava rapidamente a bola para depois lançar essencialmente a ala esquerda. Aí, a raça de Maxi misturada com a velocidade com bola de Luís Guilherme, ambos suportados numa excelente habilidade com bola, cedo fizeram a diferença apesar da boa luta que Dinis Pinto deu. E se na primeira parte três excelentes oportunidades foram desperdiçadas por Trincão (duas vezes) e Suárez, no segundo tempo outras três acabaram no fundo da baliza do Moreirense. Primeiro, por Trincão, após exímia jogada colectiva que teve em Luís Guilherme e Maxi os seus criadores. Depois, por Geny, num golo que seria digno de  correr o mundo se tivesse sido apontado por um daqueles proto-craques made-in Seixal, que, qual Mousse Alsa, instantaneamente valem muitas dezenas de milhões nos jornais até desaparecerem com igual velocidade para nunca mais ninguém ouvir falar deles. Finalmente, por Suárez, após um seu já habitual surgimento furtivo ao segundo poste.  

Com 3-0 no marcador e minguos 15 minutos por jogar, pensou-se que seria desta que Rui Borges daria uma oportunidade ao Flávio Gonçalves, mais uma vez pregado (com estacas) no banco. Mas não. Na verdade ele só lá está por ser membro de uma geração habituada a conviver com a tecnologia. E assim poder dar formação a Rui Borges em manuseamento de tablets. Do plano consta uma hora e meia ao fim de semana, com um quarto de hora de intervalo para o treinador ir fazer um xi-xi.  Em compensação, Rui Borges ensina-lhe nos treinos um jogo tradicional leonino: pegar num pedregulho, subir com ele uma ladeira e de lá de cima lançá-lo ladeira abaixo. De forma repetitiva, que já se sabe ser da repetição no treino que vem a excelência. 

Boa vitória do Sporting que no entanto revelou que neste tipo de jogos Quaresma pode dar muito mais à equipa do que Diomande. Quanto ao apagão de Simões, a REN e a E-Redes ainda estão a investigar as suas causas, esperando-se que não se esteja a dever a um qualquer súbito aumento de tensão. 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão. Luís Guilherme, Suárez e Maxi estiveram igualmente em bom plano. 

19
Fev26

O ausente omnipresente


Pedro Azevedo

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Embora qualquer referência ao seu nome tenha estado ausente na generalidade dos comentários da imprensa desportiva, a semana futebolística ficou marcada pela omnipresença de Fernando Madureira. Sim, esse mesmo: Fernando Madureira, o líder dos Super Dragões. Surpreendidos? Eu explico. Na terça feira, na Luz, o Prestianni alegadamente confundiu o Vinícius com o Madureira e a medo denunciou qualquer coisa que fez o árbitro accionar o protocolo (anti-pretoriano) com tanta rapidez e eficácia que até o primeiro-ministro, presente na Tribuna do estádio, ficou com vontade de o convidar para presidir ao SIRESP. A omnipresença do Fernando na Luz foi um autentico "Vini (Jr, no original Veni), Vidi, Vici". Nem o Júlio César ao passar o Rubicão, só mesmo o Fernando ao sair da prisão ... (A Comunicação do Benfica bem podia ter prestado este esclarecimento em vez de explicações tão débeis que mais soaram a falecimento por vontade própria.)

 

A semana também foi de bate-boca entre Porto e Sporting. Motivo: também Villas-Boas sentiu no Dragão a pressão do regresso de Madureira. Vai daí, logo recuperou aquelas velhas práticas rupestres da instituição que fazem as delícias dos adeptos mais radicais das claques do futebol. Paradoxalmente, um clube que já foi a bandeira da descentralização é hoje o clube da centralização: do vídeo, do ar condicionado, das bolas de futebol... Sempre com a Lei de Lavoisier no pensamento: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Exemplo: na baliza do Sporting já não entram bolas impulsionadas por apanha-bolas (que agora as escondem). Em compensação, da baliza do Sporting saem uns atoalhados manhosos que caem que nem um luva num daqueles WCs ambulantes que o Porto disponibiliza para a malta das obras, que obra é um adepto prestar-se a ser visita no Estádio do Dragão. É a natureza a transformar-se, o que encontra o hospedeiro ideal naquele princípio liberal de "laissez-faire la nature" que caracteriza os supervisores do futebol português. O problema é que sem regras (ou regras lassas) logo surgem as ervas daninhas e trabalho adicional emerge para quem só joga na relva...

16
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Ir à guerra sem um “sniper”


Pedro Azevedo

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Um tipo (Nel) fazer escola nas forças armadas, especializar-se como "sniper" e na hora de ir para a guerra ser substituído pelo maestro da banda sinfónica do exército (Pote) não é natural, o que é natural é "cada macaco no seu galho" ou "o seu a seu dono", como o povo, na sua infinita sabedoria, não se cansa de dizer. O mesmo povo, aquele que clama por mais justiça social e valorização profissional, a que Rui Borges tanto reivindica pertencer, ainda que demasiadas vezes faça ouvidos moucos ao eco das suas palavras. 

O "povo" a que Rui Borges pertence é afinal a mesma nova burguesia do mestre Jorge Jesus, com gosto por compras em mercados requintados, que também tem os seus provérbios, como aquele que nos dizia que um jovem da Formação precisaria de nascer 10 vezes para substituir um Matic (na realidade, apareceu logo a seguir o Renato Sanches, que ironicamente ajudou a roubar um campeonato ao JJ), servindo aqui o sérvio de paradigma da titularidade num grande. "É o que é", e nesse sentido mais valeria arrendar Alcochete à ANA para servir de alternativa à Portela. Assim como assim, os jovens da nossa Academia já andam a ver passar os aviões há muitos tempo...

 

O problema de Rui Borges não foi nem nunca será o Casio, mas sim o "quart(z)o de hora" que foi dado ao Nel, que deveria ter jogado de início, não perdendo a equipa a referência de ataque. Entretanto, o Flávio voltou a passar o tempo todo sem sair do banco. A continuar assim, ainda chega a gerente...

 

Por ironia do destino foi o Daniel Bragança, produto da nossa Formação e em boa hora aposta de Ruben Amorim não como titular absoluto mas como jogador da rotação, quem nos deu a vitória. É essa a nossa sorte: apesar dos desequilíbrios evidentes de qualidade no plantel, a qualidade extra dos nossos melhores jogadores destaca-se tanto da dos de outros clubes, outros grandes de Portugal incluídos, que no fim não ganhar é quase impossível. Por muitas asneiras que se cometam. Ora, isso é estimulante, na medida em que, podendo ser cometidas asneiras, o desafio passa a ser inventar novas todas as semanas. 

Tenor "Tudo ao molho...": Daniel Bragança. Gostei também de Luís Guilherme no primeiro tempo e de Maxi, Inácio e Diomande no tempo todo. 

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